Michelle dá um baile nos enteados. Alcolumbre leva um show de Lula

Assim é se lhe parece

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Arte gráfica colorida com imagens de Michele (à esq.) e filhos de Jair Bolsonaro (dir.) - Metrópoles
1 de 1 Arte gráfica colorida com imagens de Michele (à esq.) e filhos de Jair Bolsonaro (dir.) - Metrópoles - Foto: Arte Metrópoles

Em certos momentos, a política não é só o mar de lama que ameaça afogar boa parte dos seus protagonistas, aqui e em qualquer lugar do mundo. É também inteligência aguçada, leitura correta da conjuntura e respostas corajosas aos desafios que se sucedem, a maioria deles repentinamente.

Os filhos Zero de Jair Bolsonaro (Flávio, senador, Carlos, vereador e Eduardo, deputado federal), aos quais se juntou um meio irmão deles (Jair Renan, vereador recente), subestimaram Michelle, a terceira mulher do seu pai, e mãe de Laura, a caçula adolescente da família, e agora pagam um preço alto por isso.

Poderiam ter-se dado bem com ela, mas nunca quiseram, como se Michelle fosse uma intrusa. De certo modo, foi como intrusa que sempre a trataram, sem levar em conta a autoridade que ela exerce sobre seu pai. Desprezaram, enfim, a marcha dos acontecimentos,  convencidos de que acabariam prevalecendo.

Deu no que deu. Flávio, o mais velho, é um zero à esquerda, pau mandado do pai, obediente a todas às suas ordens, desprovido de imaginação. Carlos, o mais instável de todos, mas também pudera: estreou na política escalado pelo pai para derrotar a própria mãe em uma eleição para a Câmara Municipal do Rio, e a derrotou.

Quanto a Eduardo, o rebelde, esse só mostrou-se interessado em ser aceito nas rodas da extrema-direita Brasil afora e nos Estados Unidos a dentro. Perdeu todas as apostas que fez a pretexto de tentar salvar o pai da condenação por golpe de Estado. Jair Renan sempre foi e será o patinho feio deles todos.

Não foi Bolsonaro quem abriu as portas da política para Michelle. Ele a conheceu e se apaixonou depois de ser traído por sua segunda mulher. À época, Michelle já trabalhava em gabinetes na Câmara. A política nunca lhe foi estranha. E, como primeira-dama, aprendeu o que lhe faltava para alçar um voo solo.

Se dependesse do marido hoje preso, a cumprir a pena de 27 anos e três meses em uma sala da Polícia Federal, Michelle continuaria a ser apenas sua mulher, mãe de Laura, madrasta dos seus filhos. Mas Michelle soube cavar um espaço só para ela, e no mínimo será candidata a senadora pelo Distrito Federal.

Não se descarta a hipótese de ela almejar a Presidência da República como herdeira dos votos da direita bolsonarista. Michelle pontua bem nas pesquisas, melhor do que qualquer um dos seus enteados. E tem sobre os garotos a vantagem de ser evangélica e de estar em pregação permanente por todo o país.

Seria páreo para Lula? Por ora, Lula anda ocupado com outras coisas. Uma delas: subtrair à direita, bolsonarista ou não, suas principais bandeiras de luta. Daí mais um telefonema que trocou com o presidente americano Donald Trump, e a proposta que lhe fez para trabalharem juntos contra o narcotráfico. Vacinou-se.

Lula vai deixar Davi Alcolumbre, presidente do Senado, falando sozinho contra a indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, para ministro do Supremo Tribunal Federal. Ninguém governa governador. Ninguém empareda impunemente presidente da República. Alcolumbre está empenhado em emparedar Lula.

Ameaçou rejeitar a nomeação de Messias porque queria emplacar no Supremo seu antecessor no cargo, Rodrigo Pacheco. Marcou para o dia 10 a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para não lhe dar tempo de conquistar votos. Virou alvo de críticas. Transferiu a sabatina para outra data.

Alcolumbre é mais vulnerável do que aparenta. Vai acabar recuando na batalha impossível de ser vencida por ele ou por qualquer outro na sua posição. É só uma questão de tempo.

 

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