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Falta alguém no relatório sobre os culpados por 600 mil mortos

Adivinhe quem! Uma dica: não é paisano

12/10/2021 06:00, atualizado 12/10/2021 11:16
Hugo Barreto/Metrópoles
Falta alguém no relatório sobre os culpados por 600 mil mortos

Está tudo como mais ou menos se esperava na mais recente versão do relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL) a ser votado antes do final deste mês pela CPI da Covid.

Tem Jair Bolsonaro? Só faltava não ter. Ao presidente da República são atribuídos 11 tipos de crime – de corrupção passiva a genocídio, passando por fraude e charlatanismo.

Tem algum filho de Bolsonaro? Algum, não, tem os três zeros. Carlos e Eduardo por incitação ao crime de não usar máscara; Flávio, por advocacia e improbidade administrativa.

Constam do relatório o ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, e o atual, o cardiologista Marcelo Queiroga. Pazuello por 6 tipos de crime; Queiroga, por 1 (epidemia culposa com morte).

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Falta algum nome que merecia ter sido citado? Há uma falta clamorosa: a do general Braga Neto, ministro da Defesa, e antes disso chefe da Casa Civil da presidência da República.

Alto lá! Nenhuma implicância com o general. Acontece que no ano passado ele coordenou todas as ações do governo no combate à pandemia, e como se viu, o combate foi um fracasso.

Áulicos do general poderão argumentar: como ser citado se ele sequer foi ouvido pela CPI? E se não foi é porque os senadores não encontraram razão para que fosse.

Por isso, não. Há muita gente citada na versão do relatório que também não foi ouvida. Se o governo favoreceu de propósito a circulação do vírus, o general também foi responsável.

Na reta final da CPI, parte da sua cúpula quis chamar Braga Neto para depor, mas a outra parte temeu que o gesto soasse como provocação às Forças Armadas. Coisa de paisanos medrosos.

Paisano é como os militares chamam os civis. Não nos têm em boa conta. Nunca tiveram. Só atrapalhamos. São eles os patriotas.  Não amamos o Brasil como eles amam, é o que dizem.