Erros e mentiras não bastam para derrubar Flávio Bolsonaro

Cópia quase perfeita do pai

atualizado

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Thiago Bonna/Metrópoles
Pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro visita Hospital da Baleia em Belo Horizonte
1 de 1 Pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro visita Hospital da Baleia em Belo Horizonte - Foto: Thiago Bonna/Metrópoles

Para a direita que sonha em voltar ao poder, só resta esperar 2030 e torcer para que Lula se reeleja

Dê-me uma razão, uma só, para que um bolsonarista raiz, de carteirinha, abandone Flávio e vote em outro candidato a presidente da República capaz de derrotar Lula.

Ah, mas Flávio mentiu ao dizer que mal conhecia Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e financiador do filme de exaltação a Jair Bolsonaro. E daí? Qual político não mente?

De resto, não está provado que Flávio e Vorcaro fossem unha e carne. Não está provado que parte do dinheiro tenha sido desviada para encher os bolsos de Flávio ou pagar as contas de Eduardo, irmão dele, refugiado nos Estados Unidos.

Ah, mas Flávio apoiou o tarifaço de Donald Trump contra os produtos brasileiros e bateu à porta dele na Casa Branca para pedir que Trump declarasse o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) organizações terroristas.

Há uma diferença enorme entre organizações criminosas e organizações terroristas: as primeiras querem enriquecer por meio da venda de drogas; as segundas, derrubar governos, defender ideologias, e não se furtam a fazer isso às custas de muitas vidas inocentes.

O bolsonarista raiz, de carteirinha, simplesmente não acredita nisso; história contada pela esquerda para enganar os tolos. Organizações criminosas disseminam o terror para lucrar mais. O governo do PT é aliado delas ao se negar a combatê-las.

Flávio, um homem de coragem, oriundo de um estado, o Rio de Janeiro, onde o terror impera, fez o certo: pediu ajuda a Trump e ele o atendeu. Nem vem com a conversinha de que ele desrespeitou a soberania do Brasil. Outro dia, ao se referir ao CV e ao PCC, Lula chamou-os de “nossos terroristas”. Ou não foi?

Sim, mas e se, por qualquer razão, Flávio continuar a perder pontos nas pesquisas de intenção de voto? E se um dos demais candidatos da direita avançar nas pesquisas e ameaçar tomar o seu lugar?

A mais recente Pesquisa Real Time Big Data, divulgada ontem, mostra que Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, e Romeu Zema (NOVO), ex-governador de Minas Gerais, empatam ou chegam perto de Lula num eventual segundo turno, enquanto Flávio (PL) perde por cinco pontos.

Os dois já se comprometeram a anistiar Bolsonaro e os demais condenados pela tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023.

O bolsonarista arguto (eu sei que não existem tantos) lembrará que, para disputar o segundo turno, Caiado ou Zema terá que passar pelo primeiro e, para isso, terá que ser mais votado do que Flávio. Por que acreditar que isso será possível?

Por que votar numa cópia envergonhada de Bolsonaro se se pode votar numa cópia quase tão perfeita, no caso Flávio, o filho do homem, que jamais trairia o pai?

Se a direita não bolsonarista, apenas oportunista, deseja voltar ao poder, que espere até 2030. A vez agora não é dela. Ou então que reze em silêncio e atue discretamente para que Lula derrote Flávio.

Porque, se Flávio se eleger, tentará se reeleger. Lula, não. Daqui a quatro anos, ele terá que ir para casa, goste ou não.

 

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