
Mentir sem arte - Ad silentium (por Pedro Costa)
O flavorcaro, aliás, já (se) preveniu: se houver vídeo dele numa suruba, “madame já perdoou”

Estamos em quadra de declarações atrapalhadas. Pego com a botija na mão, o Boy da Costa Neto fez como todo mundo, disse que faz como todo mundo, no caso os outros donos de partidos: — Afinal, para que têm o partido no bolso?
Os colegas não endossaram a saída esfarrapada. Também não colou a acusação grave que fez ao Tiririca, que, quando ia deixar o partido, o teria procurado para saber o que fazer com “suas” emendas, ao que ele recomendou que as fizesse pelo partido dele mesmo: que teria feito todas as emendas “sérias”. Destoava, portanto, da norma, que seria a de emendas pouco ou nada “sérias”.
O Boy é um gênio com as palavras, na escola de 171 do Trump. Ele volta a sustentar que o genocida ficará bom de todas as doenças assim que tomar o elixir de soltura. É por isso que, já em janeiro do ano que vem, dará posse ao 01. Ele não explica qual a modalidade de golpe de Estado que aplicará, mas algum é, pois no pleno vigor do Estado de Direito não há como isso acontecer. Bem, parece que promover um crime já não é crime (apagaram os art. 286 e 287 do Código Penal?), como já se comprovou quando o flaviorcaro defendeu o bombardeio de embarcações na Baía de Guanabara por forças armadas americanas. Ou quando afirmou que, o Supremo anulando um indulto para o papai, o candidato da famiglia terá que impor sua vontade, portanto fechando o tribunal.
O huguinho protestou pelo Dino ter congelado uns valores nas contas do amigo da michela e do presidente Cunha, que afinal têm história de intenções sadias com o $$$ público. Ele pode atestar que, como presidente da camarilha dos deputados, tudo se passa dentro das regras da quadrilha. Como diria o chief-justice Roberts, a corrupção só é ilegal se, pega, não for declarada — por isso o Trump tem o cuidado de contar os bilhões em público.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNão é essa a única lição do orangeKing que tem sido aplicada. A técnica de empurrar processos com a barriga, se necessário criando um escândalo para abafar o outro, se generalizou. O processo do genocida por crimes durante o genocídio (não, genocídio não é crime) anda a passos… anda, não é? Os processos das patentes dos militares e ex-militares teve ter muito militar sentado em cima.
E o cavalo escuro? Eu pensava que o apelido do energúmeno nas corridas militares fosse cavalão, mas convenhamos que em inglês — que logo será nossa mother tongue — big horse parece coisa de índio, não ficaria bem para um deuspátriafamilia. Ficaram na dúvida entre o relator ser o Moraes ou o Mendonça, mas esqueceram que o negócio começou com as emendas do erudito frias para a superkarina, portanto devia tudo ter ficado era com o Dino, prevento e prevenido contra bandidagens. Mas a laranja karina fez o dinheiro do mestre vorcaro circular pelas mãos do 02 antes de não ser aplicado no filme — afinal, quem foram os “privados” que doaram os 10 milhões de dólares em reais que foram gastos com o filme? Ou foram aqueles amigos ocultos do PCC que fizeram baratinho o que a karina cobrou caro da prefeitura?
Como se trata de propaganda eleitoral, seria preciso que os seus nomes fossem divulgados via Justiça eleitoral, já que são doações de pessoas físicas brasileiras, mas vamos combinar que a campanha não presta contas e leva uma multa que não paga e depois será anistiada. Foi por não ser mais brasileiro que o dinheiro do master não serviu, afinal ele passara a pertencer a um fundo americano. Bem, como o cara estava em cana, não dava para devolver, assim o 02 deve ter comprado um monte de imóveis à vista, que jeito?
O Trump — ou o Rubinho — atendeu ao pedido do tariflávio e nos tascou um tarifasco, na impossibilidade de nos impingir o 01-e-único. Bem, confesso que há outros filhos tão imbecis quanto ele, mas não vamos desmoralizar o coitado mais que o resto da família e o figueiredo já estão fazendo. Afinal, que culpa ele tem de terem atendido seu pedido? Além disso o figueiredo e o bananinha pediram junto com ele, mas só ele cai nas pesquisas, é injusto.
E as mentiras do presidenciável? Como fica ele, “adevogado”, ter mentido que o 00 tinha mandado ele ler sua carta íntima na rede (xii, será que era deitado na rede)? Afinal os outros advogados não iam mentir, fica claro dos termos caligrafados que era só para os lindos olhos do filho — não seria para a michela, que está de mal com o 01, não com o galego (que não é dela): “carta aos brasileiros” — brasileiros, assim no plural, se refere ao filho, vão desculpando se o jair não sabe muito bem a diferença entre singular e plural. “Saudoso do contato com o povo […] escrevo num momento de decisão”, esta é apenas uma situação de fato, faz tempo que ele não vê umas “minas” para paquerar, não fiquem pensando que ele está querendo falar com o povo, tem até horror…
Esse é um dos casos clássicos em que há três possibilidades: 1) o escritor — afinal, quem escreve escritor é — mentiu; 2) o orador — que ênfase na leitura, que pronúncia, que fluência — mentiu; 3) os dois mentiram.
O vício da mentira é tão grande que, quando o vencedor da eleição — qualquer resultado de pesquisa ou apuração que não der o nosso 01 à frente será anulado, já decidiu o comKá — escreveu para o Rubinho que está preparado para colocar seu transition team à disposição do dito-cujo omitiu que um dos jogadores, um tal de Roninho, estava preso, e o capitão do time, o Adriano, tinha sido matado. Também não tem importância, a milícia está cheia de gente boa de bola, e além disso o Rubinho não entende nada de futebol, só sabe que o Infantino também está à venda.
Voltando ao dark horse, já está acertado com o amigo da michela — aquele por quem ela falou nas várias línguas de Sodoma e Gomorra — que ele vai segurar as pontas e só vai mandar soltar os cães quando eles estiverem mansos, a partir de janeiro, depois que papai 00 tiver colocado o Moro para trocar os agentes de polícia — ele vai lá deixar mexer com a famiglia? É pelo menos o que garante o Boy.
No vídeo em que a michela desancou com o bom-bolsonaro — foi de faz de conta, não se preocupem — a grande mentira eram os ídolos falsos no cenário: a masbaha, a estrela de David, o cálice, o I love you que vira fácil uma mano cornuta (não duvido da autenticidade dos 77 diplomas de mérito da benemérita). Ela na verdade é tão ortodoxa quanto os acólitos do Plínio Correia de Oliveira, dio patria famiglia, e detesta bispo e sobretudo papa comunista.
O flavorcaro, aliás, já (se) preveniu: se houver vídeo dele numa suruba, “madame já perdoou”. Não que ele jamais tenha participado de nenhuma, mas tanta gente pede para tirar foto que ele acaba sem saber quem é, não tem culpa se…
Pedro Costa é arquiteto e escritor

