Chegou a hora de a CPI da Covid pôr um ponto final no seu trabalho

Dar publicidade ao caso da Prevent Senior foi um acerto. Oferecer um palco ao palhaço Hang, um tiro no pé

atualizado 30/09/2021 7:51

Luciano Hang CPI Rafaela Felicciano/Metrópoles

À saída do seu depoimento, já despido do papel de palhaço verde e amarelo do circo de horrores do presidente Jair Bolsonaro que contabiliza a morte pela Covid-19 de quase 600 mil brasileiros, o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, provocado por jornalistas falou sério pela primeira vez:

“Vou pensar até o último dia para me candidatar, mas fica aberta minha possibilidade de ingressar na vida pública”.

Hang pensa em ser candidato a senador por Santa Catarina. Para isso, não lhe faltam notoriedade, apoio político e dinheiro. Seu discurso está afinado com o bolsonarismo de raiz, descoberto por ele, como disse, só em agosto de 2018. Negacionismo na veia. Economia acima de vidas. Antivacina. Pró-cloroquina.

Santa Catarina foi o estado que mais deu votos para eleger Bolsonaro. Por que não dará para Hang, que, ontem, chegou e saiu do Senado escoltado pelo filho Zero Um de Bolsonaro, Flávio, e pela tropa de choque bolsonarista? Ele usou a CPI como se ela fosse um auditório de programa de televisão. Deu-se bem.

Naturalmente, a CPI deu-se mal. Ou ela está forrada de provas para incriminar Hang no relatório final que prepara o senador Renan Calheiros (MDB-AL), ou deu um tiro no próprio pé e sem necessidade como se previa. A CPI prestou um relevante serviço ao país por tudo que apurou sobre a fraude do combate à pandemia.

Não precisava do espetáculo encenado por Hang, que, com seu histrionismo, superou de longe o dos senadores. Se insiste em permanecer sob a luz dos holofotes além do razoável, por que não chama para depor o general Braga Netto? Como chefe da Casa Civil, ele coordenou as ações do governo quando o vírus apareceu.

Por que não volta a ouvir o ministro Marcelo Queiroga, da Saúde, sobre o caso da Prevent Senior? É fato que o depoimento da advogada Bruna Morato pouco acrescentou ao dossiê sobre o caso de posse da CPI. Mas oferecer-lhe uma tribuna para que falasse ao país a respeito foi uma iniciativa acertada.

Se confirmado, chamou a atenção para um dos crimes mais hediondos da história do Brasil. Uma operadora de plano de saúde juntou-se ao governo para fazer de seus clientes, e à revelia deles, cobaias de um experimento que resultaria inevitavelmente em mortes. E tudo para evitar danos à economia. Escabroso!

A mãe de Hang foi uma dessas cobaias, mas ele não pareceu se importar. Não é coveiro. E ela já era bastante idosa, como diria Bolsonaro.

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