O bom humor de Lula contra o extremismo
Afiado, Lula expõe o abismo entre quem joga o jogo democrático e quem tenta derrubar o tabuleiro. Os lados definitivamente não são iguais.
atualizado
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Lula governa com o riso. E não se enganem: não é um movimento impensado, é o seu método. No vídeo que circulou nos últimos dias, fica nítido que esse bom humor é a ferramenta que ele domina para expor ao ridículo o extremismo.
Quando brinca que não saberia o que fazer caso saísse vitorioso de uma guerra contra os Estados Unidos ou ao ironizar Valdemar Costa Neto ao lado de prefeitos do PL, ele usa o que chamamos de “tato”.
Coisa que sobra no atual presidente e sempre faltou ao seu antecessor.
Ele faz política como quem joga xadrez, usando, inclusive, o adversário como escada. É da natureza dele receber prefeitos do partido de Bolsonaro, entregar ambulâncias e posar para fotos com a naturalidade de quem respeita o voto.
É a sabedoria do diálogo.
Enquanto o anterior falava em metralhar a oposição, Lula prefere neutralizá-la com a normalidade democrática e uma dose certeira de ironia.
É preciso, aliás, acabar com essa mania de querer criar uma falsa equivalência entre os dois lados. Não existe “extremismo lulista” ou mesmo petista. Nunca existiu.
Extremista é quem prega golpe, quem ataca urna e quem lamenta que a ditadura não matou o suficiente. Lula, gostem ou não dele, sempre jogou dentro das quatro linhas do tabuleiro.
Do fim da ditadura para cá, todos os presidentes que caíram respeitaram a lei. Collor saiu em silêncio. Dilma enfrentou o rito. Nenhum deles cogitou botar o Exército na rua. Quem inaugurou essa “moda” golpista foi Bolsonaro. E, pelo que mostram os movimentos de Brasília, essa moda passou.
Até os mais fiéis já sentiram o cheiro de queimado. O pragmatismo venceu o grito.
No fim, resta a lição: entre a metralhadora do passado e o método do bom humor de Lula, a democracia respira melhor com o segundo.


