Ministro da Defesa de Dilma defende viagem de Bolsonaro à Rússia
Para o ex-ministro Aldo Rebelo, não há “qualquer sentido na polêmica criada nessa viagem do presidente”
atualizado
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A programada viagem de Jair Bolsonaro à Rússia nesse momento de tensão naquela região é alvo de críticas internas e externas, caso dos Estados Unidos, e até motivo de preocupação dentro de setores do governo.
Bolsonaro, porém, ganhou um aliado talvez inesperado: Aldo Rebelo, que foi ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff por seis anos, defende a ida do presidente ao país de Vladimir Putin.
“Não vejo qualquer sentido nessa polêmica criada em torno da visita do presidente Bolsonaro à Rússia. Rússia e Brasil possuem longa tradição de relações diplomáticas, amizade e respeito mútuo, e as tensões envolvendo aquele país e Ucrânia não deveriam representar óbice à visita presidencial” – afirmou Aldo Rebelo ao Blog do Noblat.
Rebelo atuou a maior parte como ministro de Dilma, nas pastas da Defesa, da Ciência e Tecnologia e dos Esportes. Do governo Lula, ele foi ministro da Coordenação Política.
Para ele, Bolsonaro deve ficar distante da disputa que envolve Rússia, Estados Unidos e Europa em torno da Ucrânia.
“O que o presidente deve fazer é manter-se equidistante na disputa entre a Rússia, os Estados unidos e a Europa ocidental em torno da Ucrânia. Essa não é uma disputa nossa, e os laços de cooperação mútua e amizade entre Brasil e Rússia devem ser preservados e fortalecidos” – disse Rebelo, que considera um erro Bolsonaro desistir da viagem.
“Ainda, em meio à pressão externa sobre a política ambiental brasileira, a chamada agenda da Amazônia, a Rússia tem sido importante aliada do Brasil na questão, ao lado da China e da Índia, que integram o BRICS. Levando em conta todas essas questões, considero equivocado o presidente cancelar a visita” .
O ex-ministro, que também já presidiu a Câmara dos Deputados, lembrou que recentemente Dilma e Michel Temer realizaram visitas oficiais à Rússia.
“Em 2015, eu estive na Rússia com a presidente Dilma, na qualidade de Ministro da Ciência e Tecnologia de seu governo. Na ocasião, o presidente Putin ofereceu contratos de longo prazo de importação de grãos e proteína animal. Atualmente, o Brasil mantém cooperação com o governo russo nas áreas espacial, científica e tecnológica, dentre outras” – afirmou.
Aldo Rebelo se distanciou da esquerda. Em 2017, deixou o PCdoB, partido pelo qual foi eleito e reeleito seis vezes deputado federal. Depois, filiou-se ao PSB e ao Solidariedade. Agora, está sem partido e, em 2021, lançou sua candidatura independente a presidente do Brasil.


