Lula, o “Senador Deus” e a urgência da política raiz

Lula alerta que o sucesso de qualquer governo passará pela coragem de compor com o adversário no Senado

atualizado

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES
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1 de 1 lula-e-alcolumbre - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES

Na política, como na vida, o pragmatismo costuma ser a melhor vacina contra a paralisia. Em uma espécie de aula magna sobre a “Realpolitik” brasileira, o presidente Lula expôs as vísceras de um problema que, se não for resolvido, pode ser o fator de fracasso de qualquer projeto de país: o egocentrismo desmedido de parte do Senado Federal.

Lula não mediu palavras ao descrever a metamorfose que ocorre no carpete azul. Para ele, o senador, investido de um mandato de oito anos, frequentemente sucumbe à tentação da “divindade”. É o parlamentar que, protegido pela longevidade do cargo, acredita que o Estado gravita ao seu redor. “Tem senador que pensa que é Deus”, desabafou o presidente, apontando o dedo para o nó estratégico que pode travar o Brasil.

A análise foi no alvo. Diferente da Câmara, que vive a urgência do voto a cada quatro anos, o Senado opera em uma espécie de cegueira (ou soberba) temporal. Sem uma base sólida nessa Casa, o Executivo não governa, ele apenas tenta sobreviver a emboscadas regimentais e vaidades pessoais.

Mas aqui entra a política raiz, aquela que se mostra como a única alternativa à barbárie: a capacidade de compor. Lula, em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, foi enfático ao lembrar que não se faz aliança apenas com quem se gosta: esses já estão do seu lado. A política que funciona exige sacrifício, conversa e a construção de pontes sobre abismos ideológicos em nome de um projeto de Estado.

É a arte de ceder para progredir.

O alerta de Lula é, no fundo, um chamado à realidade para 2026. A composição do Congresso não é um detalhe estatístico, mas a chave que destrava ou sepulta o país. Ignorar o peso real do Senado é ignorar a própria engrenagem da democracia.

No fim, entender que o Senado é a fronteira entre a vitória e o fracasso não é apenas estratégia: é sobrevivência não só da política, mas da saúde de um país.

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