
Lira amplia comissões para os aliados, mas faltam espaço e servidores
Para consultoria independente, aumento de 25 para 30 colegiados é "negativo para qualidade geral do processo legislativo"

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ampliou de 25 para 30 as comissões temáticas da casa para alojar e agradar a aliados que votaram nele e garantiram seu segundo mandato, numa votação recorde.
Mas, na prática, há dificuldade para cumprir essa promessa. Falta espaço físico para dar conta dos novos colegiados e também servidores para atuarem no trabalho interno e nas sessões, quando acontecerem, dessas comissões.
Com as atuais 25 já há problemas de horário para todas funcionarem ao mesmo tempo. A Câmara tem 16 plenários de comissões. Ou seja, essa conta não fecha. Reuniões chegam a ser canceladas por falta de espaço físico. Com 30 colegiados, será dramático reuniões simultâneas de todas. Nas terças e quartas, e um pouco na quinta, acontecem mais reuniões.
E, outro problema, o Conselho de Ética, fundamental na apuração da quebra do decoro parlamentar e que não está nessa lista de comissões, sempre tem que remarcar suas reuniões por falta de espaço físico.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesE faltará espaço também para as secretarias e dessas cinco novas comissões, que são os locais onde há reuniões internas e fica a sala do presidente do colegiado.
Outra questão a ser enfrentado é a falta de servidores. Cada comissão tem um secretário-geral e pelo menos mais dois funcionários da casa trabalhando no apoio. Faltam profissionais, que terão que ser deslocados de outros setores que não do departamento de comissões.
“É negativo para a qualidade do processo legislativo”
Um relatório independente da Legis Consultoria e Treinamentos é crítico à ampliação do número de comissões. Entende o estudo que a criação de novos colegiados permanentes traz dois impactos: abre novos espaços políticos para as negociações em curso sobre as presidências das comissões, conferindo espaços a bancadas menores e dilui a influência já limitada do sistema dessas comissões para aprovar legislação, consolidando o papel central do plenário.
E, diz o relatório, um maior número de comissões irá fazer com que demore ainda mais a tramitação de um projeto nessa fase.
“Em que pese o caráter positivo de relevância adquirida por agendas que passam a ter colegiados próprios ou específicos, a resultante é negativa para a qualidade geral do processo legislativo, na medida em que cada colegiado perde relevância como instância deliberativa e pode acarretar em tramitações ainda mais longas na fase de comissões”.

