Guerra em Israel é mais um capítulo da disputa Amorim x Vieira
Posição única do Itamaraty e nota de Lula foram debatidas entre os “dois chanceleres”
atualizado
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A fala do assessor de assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, foi de encontro com o posicionamento oficial do Ministério das Relações Exteriores em relação à guerra em Israel. O ex-ministro relativizou os ataques justificando que a ofensiva do Hamas “vem depois de anos e anos de tratamento discriminatório” na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
A avaliação no Itamaraty é que Amorim errou ao dar a declaração, mesmo ela sendo baseada na realidade de violência e brutalidade praticada pelo Estado israelense nas áreas ocupadas.
Em Jacarta, na Indonésia, onde participa de um encontro entre chanceleres, Mauro Vieira disse que “todos deveriam exercer o máximo de autocontenção para evitar que a situação escale ainda mais”. O ministro também afirmou que o Brasil redobrará “esforços multilaterais para conter a espiral de violência e desbloquear o processo de paz”.
Por causa da viagem, Vieira não participou da elaboração da nota publicada pelo presidente Lula (PT) nas redes sociais. Lula repudiou os ataques terroristas e disse ser necessário trabalhar por um “Estado Palestino economicamente viável”. A nota gerou críticas da oposição, que pediu uma posição mais dura do petista contra o Hamas.
Fontes no Itamaraty dizem que Amorim teve um dedo na declaração, que foi produzida pela Secom (Secretaria de Comunicação) sob o aval de Lula.
Como o blog mostrou, as referências de Amorim e Vieira partem de uma disputa pelo controle do Itamaraty. Os dois dividem o papel de chanceler e cada um influencia Lula de sua maneira.


