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Bolsonaro é autor de projeto que pune terrorismo, como fechar estradas

Proposta foi apresentada em 2016, mas não avançou; texto tem como alvo movimentos sociais, como o MST, mas atingira seus aliados

Evandro Éboli03/11/2022 02:00, atualizado 02/11/2022 20:29
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Divulgação/PRF
PRF em ponto de bloqueio de pneus

Quando deputado, Jair Bolsonaro apresentou um projeto, em 2016, que previa o combate a atos terroristas. A proposta lista uma série de medidas, na prevenção e na repressão.

Ocupação de rodovias, como essas que se vê desde que Lula venceu, se enquadra perfeitamente no conceito de um desses atos a ser alvo do Estado.

Assim definida:

“Ter a intenção de intimidar ou coagir a população civil ou de afetar a definição de políticas públicas por meio de intimidação, coerção, destruição em massa, assassinatos, sequestros ou qualquer outra forma de violência” – diz o projeto de Bolsonaro.

Ou:

“Ato que seja perigoso para a vida humana ou potencialmente destrutivo em relação a alguma infraestrutura crítica e serviço público essencial”.

O projeto não foi votado e arquivado quando Bolsonaro se elegeu presidente. Mas foi reapresentado em 2019 pelo deputado Vítor Hugo (PL-GO), então líder do governo na Câmara.

Foi criada uma comissão especial e até foi aprovado, sob muitas críticas, inclusive por órgãos do governo, como a Polícia Federal. Até a ONU criticou a proposta, vista como ameaçadora a movimentos sociais, casos do MST e do MTST, dos sem-teto.

O texto não avançou na Câmara. Se tivesse instituída essa política, esses golpistas bolsonaristas que fecham hoje as estradas federais seriam enquadrados em atos terroristas.