
Vai que é tua, Vinny! (por Roberto Caminha Filho)
Fabi é uma heroica Procuradora trans. Vinny Jr é o Pelé que restou.

O Brasil, essa fábrica inesgotável de bons produtos, acaba de produzir duas histórias que moram em mundos de Clark Kent.
De um lado está a Dra. Fabi Diniz de Queiroz Pilate, promotora de Justiça, professora, advogada, mulher trans e personagem de uma conquista histórica no Amazonas, pelo Ministério Público brasileiro.
Do outro está Vinícius Júnior, um dos mais geniais, bem pagos e famosos jogadores de futebol desse planeta.
E eu tenho uma dica para o Vinny Jr.:
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesImita a doutora Fabi e trabalha duro! Quando te jogarem bananas, guarda as verde-amarelas, dentro da camisa, não as coma. O mundo é mal!
A Dra. Fabi, advogada e professora de direito no Mato Grosso do Sul, 20 minutos de São Paulo, escolheu um destino que pouca gente escolheria para começar uma nova etapa profissional: o interior do Amazonas. Não é Paris. Não é Madri. Não é Miami. É Jutaí, no Amazonas, interior longínquo, no centro da Floresta Amazônica.
Ali, a Dra. Fabi não encontrará Santiago Bernabéu lotado, paparazzi nas portas, tapete vermelho ou galera gritando seu nome. Encontrará pilhas mofadas de processos. Encontrará famílias querendo cidadania. Encontrará crianças, leprosos, idosos, trabalhadores, ribeirinhos, índios encharcados e cidadãos esperando que a Justiça brasileira chegue até eles.
Fabi é uma heroica brasileira trans.
Mas não chegou ao Ministério Público do Amazonas porque é trans. Chegou porque estudou. Fez concurso. Disputou vaga. Foi aprovada. Tomou posse. E agora vai trabalhar onde muitos pensam ser o inferno. Um show de cidadã brasileira! Jutaí será o seu Éden.
Enquanto isso, lá na Europa, nosso Vinny Jr. vive outra realidade. Dinheirão jorrando, fama derramando, publicidade multiplicando ativos, contratos publicitários, estádios climatizados e lotados, milhões de seguidores e uma cobrança proporcional ao tamanho do talento que Deus colocou naquelas suas intrincadas engrenagens.
Ninguém reclama que jogador de futebol ganha muito dinheiro. O nosso mundão paga, porque televisão, publicidade, ingressos, patrocinadores e bilhões de torcedores movimentam uma fortuna e os empregos se multiplicam.
Ganhe! Ganhe dez montanhas! Mas dê seu show de bola, Vinny!
Porque, enquanto você estiver pensando onde investir, comprar, viajar ou guardar seus milhões, a doutora Fabi estará descobrindo que, no interior do Amazonas, muitas vezes o maior luxo não é encontrar onde gastar dinheiro. É encontrar o iaçá, a paca e o mutum certo para comer… se o Ibama deixar.
Aqui, distâncias não são medidas apenas em quilômetros. Mede-se em horas e dias de barco. Em cheias e vazantes. Em combustível ruim. Em sinal de telefone. Em coragem. Aqui nós temos as quatro estações por dia. Todos os dias temos muito sol, muita chuva, muitas flores e muitos frutos. Ela vai tomar muito camu camu para evitar as gripes, colhidos na beira do rio.
Por isso, a chegada de uma destemida promotora ao interior amazônico, significa colocar esperança na Constituição, na alma e na voadeira. E mandar a cidadania subir o rio e entrar nos lagos. A Dra. Fabi chegou a este deserto verde para ser, um pouco mais tarde, uma Ministra brasileira e saber o quanto é dura a vida de um heroico amazônida.
Imagino a Dra. Fabi de olho grudado, por três longos dias, naquela silenciosa imensidão verde, molhada e bela natureza amazônica, querendo chegar na cidade e pensando:
“Foi exatamente para isso que estudei.”
E gostaria de imaginar o Vinny Jr. entrando em campo com o mesmo pensamento:
“Foi para isso que treinei.” Pronto! Resolvido! Cada um com sua missão. Ela com seus processos. Ele com a sua bola, a gorduchinha. Ela enfrentando as distâncias amazônicas. Ele enfrentando os cruéis zagueirões europeus, apaixonados pelas suas canelas. Ela defendendo direitos. Ele destruindo pela Canarinho. E nós torcendo pelos dois.
Vai encantar, Vinny! Seja muito rico e feliz!
A Dra. Fabi também irá trabalhar! E a felicidade, de grandeza amazônica, a recompensará!
Roberto Caminha Filho, economista, brasileiro em 5 Copas e 4 Olimpíadas, vizinho de cadeiras do Henry Kissinger e esposa, sabe o que os dois enfrentarão nesse mundo de meu Deus.

