Terras Raras: a liga do BRICS (por Ricardo Guedes)

72% das “Terras Raras” estão concentradas nos países do Brics, China com 37% das reservas mundiais, Brasil com 18%

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foto colorida de Tourmaline - elemento de terras raras
1 de 1 foto colorida de Tourmaline - elemento de terras raras - Foto: Gsaielli/ Getty Images

Porque as chamadas “Terras Raras” são tão demandadas assim atualmente? Primeiramente, elas não são tão raras, mas raras sim nos países do Ocidente, do poder político-militar e da ideologia dominante. Segundo, porque sem elas não há nada a se fazer no campo moderno da tecnologia industrial, ipsis litteris, em todos os países. Terceiro, porque estão concentradas na China, no Brasil, na Rússia e na Índia; assim, são “raras”; a nossa redenção.

As assim chamadas Terras Raras formam um grupo de 17 componentes químicos, maleáveis e de alta aplicação industrial e militar, como o ítrio, o lantânio, o escândio e outros mais. São indispensáveis para a fabricação dos super condutores, carros e equipamentos elétricos, celulares, TVs, equipamentos militares, etc., etc., etc.

Hoje, as “Terras Raras”, assim chamadas por expressarem o desejo distante dos países economicamente dominantes, estão 72% concentradas nos países do BRICS: China com 37% das reservas mundiais, Brasil 18%, Rússia 10%, e Índia 7%, nesta ordem; restando 28% para outros países, inclusive a Ucrânia, com 5%.

Se no século XIX as colônias eram o importante; no século XX, o petróleo; neste século XXI, as “Terras Raras” são o insumo determinante.

Economicamente, em 1960 o PIB dos Estados Unidos representava 40% do PIB mundial, mandavam no mundo. Hoje, os países cresceram, caindo o PIB dos Estados Unidos para 26% do PIB mundial. O BRICS, considerando seus 5 países mais importantes, a China, a Rússia, o Brasil, a Índia e a África do Sul, representam 27% do PIB mundial. A União Europeia 17%, a China 17%. Sabemos que o BRICS é mais caracterizado por ser uma Associação de Países, por falta de uma moeda para lastro, do que um Bloco Econômico, lastreado no dólar, com os Estados Unidos, a União Europeia e os países da OCDE. Mas os Estados Unidos, com 26% do PIB mundial, não mandam mais no mundo. Trump deixa o comércio global, como ocorrido nos últimos 80 anos, pós Segunda Guerra Mundial, e inicia o protecionismo na economia americana, através de tarifas, com novas negociações, e realinhamento político e econômico mundial.

Parodiando Marx, quando disse “Trabalhadores do mundo: uni-vos”!, o que não ocorreu; e a OPEP, que ocorreu; “Países das ‘Terras Raras’, esta é a vossa redenção!”. É difícil, mas quem sabe? O mundo anda por linhas tortas, e em algum nível a “Associação das Terras Raras” ocorrerá. Já que o mundo é segmentado.

 

Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago.

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