Sete trilhões de dólares: como estamos financiando o nosso futuro
Aquilo que antes era visto como uma inovação passou a fazer parte da engrenagem principal do sistema financeiro.
atualizado
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Sete trilhões de dólares. Um número tão grande que quase perde o significado. Mas não neste caso. Estamos falando de uma quantidade de dinheiro que está mudando vidas. A sua, inclusive.
É o que mostram os dados recém-divulgados pela Climate Bonds Initiative. Trata-se da última atualização do mercado global de dívida sustentável – que inclui títulos verdes, sociais, sustentáveis e vinculados à sustentabilidade. Um mercado que ultrapassou a marca histórica de US$ 7 trilhões em emissões acumuladas.
Para colocar em perspectiva, esse valor é superior ao Produto Interno Bruto da maioria dos países do mundo.
Mas o mais interessante é o que esse número revela.
Durante muito tempo, investimentos sustentáveis foram tratados como uma espécie de curiosidade financeira. Um mercado importante, mas ainda periférico. Algo voltado a investidores especializados ou a um pequeno grupo de instituições preocupadas com clima e sustentabilidade.
Essa realidade mudou.
Acompanho a evolução desse mercado há quase uma década e a velocidade da transformação impressiona. O primeiro trilhão de dólares levou treze anos para ser alcançado, entre 2006 e 2019. Os seis trilhões seguintes vieram em apenas cinco anos.
Em outras palavras: aquilo que antes era visto como uma inovação passou a fazer parte da engrenagem principal do sistema financeiro.
Esse crescimento revela algo importante sobre a forma como investidores enxergam os riscos e as oportunidades do século XXI. A discussão já não é se vale a pena investir em soluções relacionadas à transição climática. O mercado respondeu a essa pergunta com clareza.
A questão agora é outra: haverá projetos suficientes, bem estruturados e confiáveis para absorver todo esse capital?
Porque dinheiro, ao que tudo indica, existe.
O mundo precisará mobilizar algo próximo de US$ 10 trilhões por ano para financiar a transição para uma economia de baixo carbono e mais resiliente às mudanças climáticas. Diante desse desafio, os US$ 7 trilhões acumulados representam um avanço extraordinário, mas ainda insuficiente.
Quando ouvimos falar em títulos verdes ou títulos sustentáveis, o tema pode parecer distante da vida cotidiana. Mas, na prática, estamos falando de recursos que financiam energia renovável, transporte de baixo carbono, infraestrutura hídrica, edifícios mais eficientes e projetos capazes de reduzir emissões ou aumentar a resiliência das cidades diante de eventos climáticos extremos.
Estamos falando, em última análise, da infraestrutura do futuro.
Existe também uma lição importante por trás desse crescimento.
Os US$ 7 trilhões não surgiram por acaso. Eles foram construídos sobre algo que costuma receber pouca atenção fora dos círculos especializados: confiança.
Padrões, taxonomias, metodologias, certificações e sistemas de reporte raramente aparecem nas manchetes. São temas técnicos e pouco atraentes para o público em geral. Mas são justamente esses mecanismos que permitem aos investidores diferenciar projetos sólidos de promessas vazias.
Sem eles, o mercado simplesmente não cresce.
O Brasil, aliás, já começou a construir sua própria infraestrutura de confiança. O país emitiu seu primeiro título soberano sustentável e lançou sua Taxonomia Sustentável, ferramenta que ajuda a definir quais atividades econômicas contribuem efetivamente para a transição climática.
São passos importantes.
Sabemos o próximo capítulo das finanças sustentáveis não dependerá apenas de mais dinheiro. Dependerá de mais integridade, melhores projetos e regras claras que permitam transformar capital em resultados concretos.
Os sete trilhões de dólares não representam uma linha de chegada. Representam um sinal de que o mercado finalmente entendeu que sustentabilidade não é um tema paralelo à economia.
É, cada vez mais, parte dela. Uma boa notícia para todos nós.


