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Rafael Correa explicita divergências da esquerda na AL

Ex-presidente é contra o aborto e critica pautas identitárias

Marco Miguel03/04/2023 13:00, atualizado 03/04/2023 13:14
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EBC
Rafael Correa explicita divergências da esquerda na AL

Um dos representantes da primeira onda de governos de esquerda na América do Sul no início dos anos 2000, Rafael Correa, ex-presidente do Equador, vê mais fragilidades e heterogeneidade no movimento atual, que engloba Brasil, México, Colômbia, Chile e Argentina. Conservador nos costumes, Correa critica as pautas identitárias e acredita ser um erro colocá-las no centro das discussões do campo progressista.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o economista fez uma análise de alguns presidentes da região. Classifica Gabriel Boric, presidente do Chile, como “um pouco menos que um social-democrata” e critica sua política externa e seus posicionamentos contra a Nicarágua e Venezuela – sobretudo por desconsiderar o bloqueio econômico ao país de Maduro.   

Lula é “um dos mais brilhantes estadistas da história da América Latina”, que faz um governo de coalizão e prevê muitas dificuldades em seu mandato, com uma oposição “disposta a tudo, como já demonstraram”. Ao mesmo tempo, disse em outras entrevistas que a América Latina ganha esperança com o petista no poder.

A relação do continente com os EUA pouco mudou, seja com Trump ou Biden, já que, por exemplo, o democrata não revogou as sanções impostas à Venezuela durante o governo do republicano. Mas existe uma diferença entre os dois: “Trump é um imbecil. Biden não”.

As pautas identitárias e seu conservadorismo nos costumes criam uma distância entre ele e os movimentos de esquerda da segunda década deste século. É possível imaginar que despreze o “todes”. “É um erro colocar isso como central em nossa agenda. Sim, são problemas, têm que ser tratados com muito respeito. Mas nem sequer resolvemos os problemas do século 18, as grandes contradições, a pobreza generalizada, a desigualdade, a exploração. (…) Estamos no continente mais desigual do planeta. E hoje ficamos brigando sobre casamento gay, aborto em qualquer momento,” dispara.

Correa afirma ser contra o aborto e, apesar de respeitar o casamento gay, diz que a união entre homem e mulher é o “correto”. “Essa ideia de gênero, que um garoto de 12 anos se sente mulher, é uma loucura terrível”. E não teme as críticas por seu posicionamento: “ Se isso é ser de esquerda, não sou de esquerda”.