O racional de Flávio Bolsonaro (por Leonardo Barreto)

Perder liderando a direita é mais importante do que ganhar sem ser o cabeça de chapa

atualizado

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Ton Molina/Agência Senado
Flávio Bolsonaro cercado de microfones
1 de 1 Flávio Bolsonaro cercado de microfones - Foto: Ton Molina/Agência Senado

Qual é o objetivo principal do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro? Vencer a eleição ou proteger a hegemonia da família no espectro da direita? Responder essa questão é fundamental para definir o racional do candidato e, a partir disso, deduzir quais são os próximos passos da sua candidatura diante de um cenário que tende a ficar mais duro.

Depois de ter uma relação com Vorcaro revelada, as investigações devem se concentrar no fundo existente no Texas e a incerteza do que pode vir depois. Um comentarista gabaritado de Brasília afirmava que, no curto prazo, Flávio não fará outra coisa que não seja se explicar e, normalmente, o efeito dessa situação tende a ser negativo.

Veja: não importa agora saber se tudo o que se soube é legal ou não. O que interessa é que se abriu uma via crucis de explicações, denúncias e desconfianças que não dará refresco até a eleição.

Quem aposta que Flávio vai continuar como líder da direita e presidenciável competitivo constrói seus argumentos com base na tese da calcificação ideológica. A combinação de antipetismo e bolsonarismo vai se encarregar de mantê-lo no jogo independente do que aconteça.

Essa tese será testada nas próximas pesquisas e todos poderão tirar suas conclusões olhando não apenas os indicadores do próprio senador (principalmente de rejeição) como também dos outros candidatos da direita.

Deve-se alertar, no entanto, para uma ilusão de ótica que pode acontecer: Flávio continuar liderando a direita, o que é provável, mas com um teto mais baixo no segundo turno. Flávio parecerá o mais forte, mas suas chances efetivas de bater Lula seriam menores do que as dos outros candidatos.

Para ilustrar essa situação, é preciso pensar em Paulo Maluf, quando ele era a principal força da direita paulista, mas seu nível de rejeição o impedia de vencer eleições majoritárias.

Em 1990, Maluf liderou o primeiro turno e perdeu na segunda volta para Luiz Fleury Filho. Depois de uma passagem pela prefeitura, repetiu o roteiro em 1998, vencendo na primeira rodada e perdendo na segunda para Mário Covas. Em 2000, passou raspando para o segundo turno (derrotando Geraldo Alckmin) e perdeu depois para Marta Suplicy.

Em resumo, Flávio teria força para bloquear outros candidatos de oposição a Lula, mas não força o suficiente para derrotá-lo.

Se essa percepção se materializar nas pesquisas, o que ele fará? Aqui volta-se à pergunta que abriu o texto.

Se seu objetivo principal é tirar Lula, a renúncia e o apoio a outro candidato mais viável passarão a figurar como opções possíveis.

Se seu alvo, no entanto, é guardar o butim político e eleitoral da família, então perder ou ganhar, tirar ou não Lula, não é a sua principal preocupação e uma renúncia em nome de alguém com mais chances é um caminho remoto.

Ao lançar Flávio e preterir Tarcísio de Freitas que, em tese, tinha menos chances de “malufar”, Jair Bolsonaro já indicou o que prefere. Perder liderando a direita é mais importante do que ganhar sem ser o cabeça de chapa.

 

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