
Meu pé de limão siciliano (por Tânia Fusco)
Não force desapegos. Nem os recomende, por favor. Cada um com seu cada um.

Desapega! Quantas vezes ouvimos ou dizemos, até pra nós mesmas, o mandado: desapega! Como se fosse fácil. Só uma decisão pessoal, sem envolver a coisa mais preciosa – também das mais custosas – sentimento.
Desapegar tem custos. E não são pequenos, muito menos racionais ou seletivos. A dificuldade pode ser a mesma do desapego a um ex-amor, um amor dos tóxicos, ou aquela camiseta que, de tão velha, é quase uma peneira de furos feitos pelo tempo. Não é sobre isso!
Talvez, no caso da camiseta, seja a origem dela. Foi presente recebido num dia especial, veio de alguém precioso, guarda memória de alguma viagem inesquecível, ou de cada história que os furinhos contam.
A causa do apego pode ser só a maciez e o aconchego que aquela malha já fininha, desgastada por centenas de lavagens, oferece ao corpo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo caso de ex-amores – tóxicos ou não -, apegos ainda somam a dificuldade do maldito “perder”. Humanos não são preparados para perder. O desconforto das perdas alcança até o que, por vontade própria, dispensamos. Ainda assim, fica o buraco – seja da ausência de pessoas, ou daquele velho carro que só lhe dava trabalho e despesa. Ou do tradicional cunhado chato. Da amiga mala…
Apegos são sobrepeles, crostas de corpo e alma. Difícil retirar. Seja com bucha ou bisturi. Ficam como abraços intensos daqueles que as grávidas dão na barriga que carrega um filho dentro. As barrigas têm prazo de validade. Os apegos não.
De qualquer que seja o objeto – humano, matéria ou até imaginário – o desapego é tarefa que dói. Mas acontece. Chega a hora do Ufa! Foi-se.
Pense. Até os americanos estão desapegando do Trump. Agora, 65% deles já desaprovam o governo do Laranjão. A hora do Ufa! tá chegando por lá. Amém.
Troquei uma casa, com pomar, por um apartamento. Só não consegui me desapegar ainda das saudades do abacateiro e do pé de limão siciliano. E de seus frutos perfeitos. O ano inteiro.
Não force desapegos. Nem os recomende, por favor. Cada um com seu cada um.
Entrevista com o Candidato
Toda noite, depois do JN.
Segunda foi Zema, do Novo. 2% de intenções de voto.
Nada novo. Zemou. Sem surpresas. Perdido no personagem, nem engraçado é mais. Chato.
Ontem, foi Caiado, do PSD. Os mesmos 2% de intenções de voto.
Falou o que quis, no tempo que quis. Como quis. Como se estivesse só, diante do espelho.
Como se diz em Minas Gerais, comeu os entrevistadores com farofa.
Expôs sua certeza: Eu sou eu. O resto é bosta. (Perdão pela má palavra). Ao fim, garantiu que, todas as manhãs, pisa na vaidade.
Renata e Tralli perderam a oportunidade de emendar: Imagina se não pisasse…

