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Diplomacia ambiental (por Gustavo Krause)

O momento é de real ameaça dos efeitos da mudança climática, agravado pelo brutal retrocesso das políticas públicas do atual governo

atualizado 10/08/2022 0:19

Enio Medeiros/Prefeitura de Aparecida

Foi lançado, dia 08/08/22, o livro “Diplomacia Ambiental”. Impactado pela dimensão da obra me perguntei se estava diante de um livro, uma enciclopédia, ou do inseparável vade mecum dos doutores da lei. Tive ajuda de uma breve reflexão: um texto não se mede pelo tamanho e, não poucas vezes, pelo que diz, mas pelo significado. Se é por aí, posso usar o conceito de revelação.

De fato, o texto robusto, comprometido com a nobre e universal causa ambiental, revela excelências brasileiras abrigadas por instituições públicas, privadas, organizações não governamentais e uma respeitável academia.

Sob a coordenação go Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), presidido pelo embaixador Rubens Babosa, organização da professora Wânia Duleba e o grupo de diplomacia ambiental da USP, foi realizado um trabalho de pesquisa que consumiu dois anos e meio e que resultou no texto monumental: mais de 60 normas internacionais e 15 acordos ambientais, avaliando o grau de cumprimento pelos governos brasileiros desde 1972 até o presente momento, distribuídos em três eixos temáticos – mudança climática, proteção à natureza e produtos químicos – organizados em oito capítulos com mais de quinhentas páginas.

O livro chega num momento crítico para o mundo, sob a real ameaça dos efeitos da mudança climática, agravado pelo brutal retrocesso das políticas públicas do atual governo em relação ao meio ambiente com sérios danos à imagem do Brasil no contexto internacional.

Daí, o vigoroso significado da revelação: a nação brasileira não se confunde com os descaminhos de eventuais governos; percebe o valor estratégico da questão ambiental para a Humanidade e tem plena consciência do protagonismo a ser exercido para um destino comum.

De outra parte, demonstra que a crise ambiental abre uma fronteira de possibilidades para nossos ativos ambientais nos processos de produção e consumo limpos e sustentáveis.

Por sua vez, o momento das disputas eleitorais é a oportunidade de trocar a retórica oportunista por compromissos factíveis com o desafio de avançar na transição para uma economia de baixo carbono. Foi-se o tempo em que a questão ambiental era central para a humanidade e periférica para os governos. Limitava-se a figurar como manifestação retórica, até porque os magos do marketing político eram enfáticos: “meio ambiente não dá voto”.

O pragmatismo cínico escondia a máxima: o que vou fazer pelo futuro se o futuro não fez nada por mim?

À clarividência dos autores de “Diplomacia Ambiental”, o futuro agradece.

Gustavo Krause foi ministro da Fazenda