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Brasil x EUA: a batalha do suco e do Tylenol (por Roberto Caminha)

Brasil decidiu suspender o suco de laranja e os americanos devolveram tirando os remédios das farmácias

atualizado

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
1 de 1 O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Metrópoles

Não se fala de outra coisa nos bastidores da economia mundial: o Brasil e os Estados Unidos estão em guerra. Não com bombas, tanques ou discursos no TikTok. É uma guerra moderna, travada com armas de destruição em massa como… laranjas e comprimidos.

Tudo começou quando o Brasil, cansado de ser ignorado nas playlists americanas, resolveu dar o troco: suspendeu a exportação de suco de laranja concentrado. O impacto foi imediato. A Flórida entrou em estado de calamidade pública. Supermercados esvaziaram. Crianças choraram. As aulas paralisaram. E houve quem tentasse beber Tang com gelo de silicone, em protesto.

A bolsa de Nova York caiu 10%. Os investidores, desesperados, tentaram aplicar em vitamina C genérica, mas era tarde demais: o Brasil havia proibido a exportação de acerola e camu-camu e apertado o botão vermelho da frutose tropical. O mel foi para a estratosfera.

Do outro lado da trincheira, o Pentágono econômico dos EUA respondeu com a mesma elegância de sempre: suspendeu a exportação dos princípios ativos que compõem nossos medicamentos.

Foi um corre-corre dos capetas. Em 48 horas, o caos se instalou no Brasil. Farmácias começaram a vender “dipirona gourmet” feita com camomila, cidreira e gratidão. Teve laboratório testando chá de capim santo em cápsulas. E o remédio para dor de cabeça passou a ser chamado de “autoconhecimento em gotas”. Os Pastores mais íntimos de Jesus, Valdomiro e Silas, se abraçaram e pediram proteção ao Filho, porque estavam fazendo muita hora-extra e já haviam desacostumado. Tiveram que vender água do mar para curar do furúnculo a malária.

Nosso correspondente, Argemiro do PIB, ouviu de um analista em Brasília a seguinte frase:

“Se os EUA cortarem o ibuprofeno, vamos ter que voltar pra benzedeira e reza forte. E olha que nem a reza tá barata com o preço da vela.” O despacho com galinha preta estava os olhos da cara. Na falta da picanha e do chopp, esgotados nos fins de semana, o brasileiro voltou a consumir o frango em alta escala. Consumo dos penosos em alta, preço disparando. Ao finalizar a fofoca, Argemiro do PIB, cochichou: vem bronca para os empregos da indústria automobilística e São Paulo vai pirar. São Paulo não para…Sampa pira!

PIB em Pânico, Balança na UTI

As consequências foram sentidas em segundos e o Agro, pilar da economia brasileira, começou a sentir a porrada, nos bolsos e na barriga.
– O PIB brasileiro caiu 2,973% só com a falta de remédio pra pressão.
– O IBOVESPA despencou feito mamão maduro.
– O dólar subiu mais rápido que promessa de político em véspera de eleição.

Nos Estados Unidos, sem suco, o desespero virou manchete: “BREAKFAST BLACKOUT: America’s Orange Juice Crisis”– estampava o New York Times. No Brasil, a capa da Revista Raiva trazia a manchete: “Sem Tylenol, Com Dor e com Amor”.

Diplomacia à Brasileira

Foi então que os dois países decidiram conversar. Numa reunião histórica, a delegação brasileira levou suco natural, pão de queijo e tocou Tom Jobim no ukulelê. Os americanos chegaram com uma caixa de remédios, dois diplomatas da Pfizer e uma camiseta “Eu ♥ o Brasil (mas quero meus remédios)”.

O acordo de paz foi selado:
– O Brasil volta a exportar suco.
– Os EUA liberam os químicos dos remédios.
– E as playlists do Spotify norte-americano agora terão Ângela Rô Rô e um pouco de Zeca Pagodinho por semana.

Moral da História?

No mundo de hoje, ninguém briga com quem fornece o café da manhã ou o alívio para enxaqueca. O Brasil pode ser a terra do samba e da biodiversidade, mas sem os químicos dos americanos, nossa dor de cabeça vira crise diplomática.

E os EUA, gigantescos, podem ter Hollywood, Silicon Valley e 300 tipos de cereal matinal, mas sem a nossa laranja, viram uma nação de gente mal-humorada e com falta de vitamina C. A gripe vai pegar e eles terão que contratar o Bispo Edir Macedo, assoberbado de trabalho, com seus fiéis sofrendo com a coriza.

E o futuro?

Já se especula o próximo capítulo:
– Se o Brasil cortar o café, o mundo entra em colapso. O Nespresso terá suas cápsulas recicladas e a qualidade cairá em demasia. A cevada invadirá e o terêrê não dará vencimento.
– Se os americanos bloquearem as séries, o brasileiro vai ter que rever “Irmãos Coragem”, “O Clone” e “Senhora do Destino”, além de voltar com Chico City e Odorico Paraguassú.

Mas uma coisa é certa: na economia global, as tribos não vivem sozinhas. E quem duvidar, experimente uma ressaca sem suco de laranja… e sem Neosaldina ou Sonrisal.

O Trump, aspirante ao Nobel da Paz, prometeu vir fazer um cruzeiro, no NIMITZ, pelas praias brasileiras e levar a juventude para passear nos seus botes a jato e nos seus jatos invisíveis. Só para divertimento dos colegas brasileirinhos.

Roberto Caminha Filho do BC, correspondente de crises internacionais com diploma em Economia, no cofre do Tio Patinhas e curso de diplomacia, nas filas do SUS.

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