Acusação contra Lira no Conselho de Ética é extinta em tempo recorde
Presidente do colegiado, Paulo Azi (União-BA) inovou e, na verdade, processo do PSol contra manda-chuva da Casa nem chegou a ser aberto
atualizado
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A ação do PSol contra Arthur Lira (PP-AL) no Conselho de Ética mal durou uma semana e, graças à ação do seu presidente, Paulo Azi (União-BA), acima na foto, nem chegou a ser aberto, na verdade.
Do próprio punho um presidente do conselho tomou a decisão de não dar seguimento à representação. Azi inovou e chamou para si o caso. Ele mesmo fez o juízo da ação do PSol contra Lira e nem sorteou os relatores. Uma decisão monocrática.
O caso entrou no conselho no dia 14 e terminou ontem, dia 21. Foi a ação extinta num tempo recorde desde a criação desse colegiado, no início dos anos 2000. Para não dizer que foi a primeira vez que fez algo desse tipo, o presidente do conselho disse que aplicou mesmo entendimento na acusação contra Gleisi Hoffmann, presidente do PT, na semana passada.
Ele não recebeu a representação por considerá-la “carente de justa causa”. Mas, até nisso é diferente. O caso de Gleisi permaneceu duas semanas tramitando. O de Lira, apenas uma.
A inovação de Azi foi tanta para salvar Lira que a ação sequer foi protocolada no sistema do conselho. O caso nem aberto foi.
A oposição ainda apresentou recurso contra essa ação de Azi, mas perdeu por 13 a 5.
No último dia 31, Lira e o deputado Glauber Braga (PSol-RJ) bateram boca no plenário. Braga acusou Lira de presidir os trabalhos como um “ditador”. Lira, então, ameaçou retirá-lo do plenário usando todo o recurso possível, insinuando que o tiraria à força.
A ação contra Lira foi apresentada há duas semanas, mas a Mesa da Câmara levou 12 dias para enviá-la ao conselho. Na semana passada, no final da reunião, Azi anunciou que a representação chegou.
O presidente do conselho surpreendeu ontem ao apresentar o caso no meio da reunião, já que não estava previsto na pauta. Eafirmou que a ação contra Lira não procedia. Para ele, a ação contra o presidente da Câmara era “descabida” e disse que Lira atuou para zelar a dignidade da Câmara no enfrentamento a Braga.
“Deixo de receber (a ação) porque os fatos narrados (contra Lira) não constituem falta de decoro”- disse Azi.
A oposição se indignou pelo fato de Azi dar o veredicto de próprio punho, sem sortear relator e não ter dado o mesmo tratamento ao caso de Braga, que, por essa discussão com Lira, responde no Conselho de Ética.
“Dessa forma, Vossa Excelência está agindo como Lira. O que está acontecendo aqui é uma vergonha. O processo contra mim foi à jato, num script para uma eventual punição. E, até agora, o caso de Lira vinha a passo de tartaruga. E, nesse momento, foi a jato para blindá-lo” – disse Braga.


