A contradição entre o moderado Flávio e o radicalismo no palco dos EUA
Flávio ataca as urnas e implora por pressão estrangeira contra as instituições do próprio país. Alguma surpresa nisso?
atualizado
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A política brasileira é fértil em espetáculos, mas raramente no picadeiro da subserviência. Porém, o que se viu recentemente nos Estados Unidos ultrapassa os limites do razoável.
Flávio Bolsonaro, que muitos tentam empacotar e vender como a face “moderada” do clã, resolveu chutar o balde e a lógica em um evento conservador no Texas.
Ao microfone, com um inglês claudicante e um esforço visível para agradar, o senador não apenas pediu socorro, ele ofereceu o Brasil de bandeja.
Não é de hoje que os Bolsonaro buscam no estrangeiro a validação que o voto popular lhes retirou. Mas Flávio foi além do pai. Enquanto Jair se limitava a cochichos de pé de ouvido com autoridades americanas, o filho resolveu escancarar a serventia em público, diante de câmeras e de uma plateia ávida por retórica reacionária.
O senador chegou ao ponto de sugerir que Brasil e EUA nasceram um para o outro e que temos muito para dar em troca de… “ajuda”. Minerais Críticos, por exemplo. É a entrega total da soberania por um afago político.
Mais grave ainda é o ataque sistemático às nossas instituições. Flávio foi dizer lá fora que não temos democracia por aqui, ignorando (ou fingindo ignorar) que rankings internacionais seríssimos, como o da Universidade de Gotemburgo, colocam o Brasil hoje à frente dos próprios Estados Unidos em solidez democrática. Ele joga com a dúvida, tenta sabotar a confiança nas urnas e sinaliza que, se perder a eleição, é por contagem errada de votos.
Ao atacar a China, nosso maior parceiro comercial, e se colocar como um “vendedor” das riquezas nacionais, Flávio mostra um amadorismo perigoso.
É o velho método bolsonarista de dar tiro no próprio pé, mas, desta vez, o cano da arma está apontado para os interesses estratégicos do Estado brasileiro.
A moderação era apenas uma máscara que caiu no Texas. Surpresa? Zero.


