Governo sinaliza benefícios, mas descarta reajuste para professores

Aumento no vale-alimentação e pagamento de licenças-prêmio serão estudados. Mas governador reafirma que não haverá aumento salarial

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Terminou sem acordo a reunião entre o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), e uma comissão de professores na tarde desta quinta-feira (30/3). A categoria ouviu do governador e dos secretários de Educação, Júlio Gregório, e da Casa Civil, Sérgio Sampaio, que não haverá aumento salarial para os docentes da rede pública neste ano. Tampouco pagamento da última parcela do reajuste concedido pela gestão anterior, em 2013, e ainda em aberta.

A reunião durou pouco menos de duas horas. Representantes do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) saíram frustrados do encontro. “Não saiu nada. Ficou decidido apenas que terá outra reunião na segunda-feira (3)”, reclamou a diretora do sindicato, Rosilene Correa. Ela acrescentou, em seguida: “Ele (o governador) disse que vai tentar apresentar uma proposta”.

Segundo Rosilene, a comissão de professores tentou discutir a decisão de o governo cortar o ponto de temporários e efetivos em greve. “Para nós, é uma maneira autoritária de punir os professores. Não obtivemos retorno”, protestou, antes de atravessar a rua para dar a notícia a cerca de 600 educadores que aguardavam o resultado da negociação na Praça do Buriti. Os professores estão em greve geral desde o dia 15 de março.

Avanços
Em entrevista, o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio, afirmou que, para o governo, o encontro representou um avanço. “Nos reuniremos novamente na segunda, quando vamos apresentar um cronograma para a concessão de licenças-prêmio (pecúnias), o que pode gerar impacto de R$ 100 milhões aos cofres públicos. Ficamos de estudar também o aumento no vale-alimentação”, afirmou.

Em nota, o GDF acrescentou que o cronograma será elaborado por uma comissão do Executivo, e que o objetivo é garantir o pagamento das pecúnias de 2016 a partir do segundo semestre deste ano. Em novembro, professores na ativa e aposentados chegaram a fazer uma vigília na área externa do Buriti, pedindo o acerto das dívidas pecuniárias.

“Agora, sobre a terceira parcela do reajuste (de 2013), não tem como porque teríamos que dar para todos as áreas”, reiterou o chefe da Casa Civil. Ao todo, 32 categorias do funcionalismo público local tiveram correção aprovada em 2013, mas ficaram sem a última parcela.

Sérgio Sampaio afirmou ainda que a decisão sobre o corte do ponto dos grevistas pelos dias parados está mantida. Mas o governo garantiu aos sindicalistas que a terceirização aprovada na última semana pela Câmara dos Deputados não afetará a área da educação. “Também vamos manter diálogo com os professores sobre a Reforma da Previdência”, acrescentou o chefe da Casa Civil.

Sem protesto
A reunião desta quinta-feira (30) foi marcada de véspera, como condição para que os professores em greve liberassem o trânsito no Eixo Monumental. A via, uma das principais da área central de Brasília, ficou fechada por cerca de sete horas devido ao protesto dos educadores. Após assembleia geral, na qual decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado, os manifestantes ocuparam a pista e tentaram invadir a sede do Executivo. Eles foram repelidos por policiais militares, que fizeram uso de gás de pimenta.

A agitação ficou no passado. Nesta quinta, os 600 educadores que esperavam o resultado da reunião com o governador mantiveram-se na área combinada: o gramado da Praça do Buriti. De um carro de som vinham os informes para a categoria, ou música, para deixar a espera mais agradável. Após saberem que a comitiva de negociação saiu do Buriti sem uma proposta concreta, o grupo se dispersou.

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Embora a Justiça tenha decretado no dia 27 de março a ilegalidade da greve, determinando o imediato retorno dos professores às salas de aula e fixando em R$ 100 mil o valor da multa por dia de descumprimento, a categoria manterá a paralisação. Na segunda (3), voltarão ao Buriti para negociar com o governador e seus secretários. Na terça (4), a categoria tem nova assembleia para definir os rumos do movimento grevista.

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