Mesmo com chuva forte, professores mantiveram mobilização no Buriti
Após assembleia que definiu continuidade da paralisação, docentes ocuparam gramado e pista em frente ao Palácio. Esperam negociação com GDF
atualizado
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Nem a chuva intensa que caiu no início desta tarde desmobilizou os professores que permanecem em frente ao Palácio do Buriti. Agora distribuídos entre o gramado da Praça do Buriti, a pista em frente à sede do Executivo e sob as marquises do monumento, os docentes chegaram a tentar invadir o Palácio. Agora, esperam que uma comissão seja recebida por algum representante do governo local (de preferência, o governador Rodrigo Rollemberg) para negociar uma proposta que encerre a greve geral deflagrada no dia 15/3. A Justiça já decretou a ilegalidade da paralisação, e o GDF anunciou que cortará o ponto dos grevistas.
De acordo com fontes do governo, a disposição do Executivo em negociar com os professores diminuiu depois da tentativa de invasão. Para o governo, houve uma quebra inconcebível no acordo de cavaleiros firmado com a categoria – que previa a permanência do grupo no gramado da Praça do Buriti – e que deve fazer o Executivo endurecer ainda mais no trato com os educadores. Um grupo de manifestantes chegou a lançar pedras e até plantas contra os vidros do Buriti.
O clima ficou tenso quando a Polícia Militar usou spray de pimenta para afastar os manifestantes do acesso ao palácio. Houve corre-corre e vários professores passaram mal pela inalação do gás. Os docentes recuaram, mas permanecem interrompendo o tráfego de veículos: até fizeram uma ciranda, debaixo de chuva. “Se não negociar, nós vamos ocupar”, seguem gritando. Segundo o Sinpro-DF, a categoria não sairá do local até o GDF chamar a comissão para conversar. Ficou marcada para o próximo dia 4/4 nova assembleia geral da categoria. A desta quarta reuniu cerca de mil educadores.
Greve geral
A greve tem a adesão de mais de 70% dos 28,5 mil servidores ativos, segundo o Sindicato dos Professores (Sinpro). A Justiça estabeleceu multa de R$ 100 mil para cada dia em que os docentes ficarem fora da sala de aula. O sindicato recorreu da decisão. Além disso, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) mandou cortar o ponto de todos os grevistas.
Quem decide se mantém a greve é a categoria. Não vai ser a Justiça que vai decidir o que vamos fazer. Nós já recorremos e quem está ilegal é o governo, que não respeita o movimento que é um direito nosso
Samuel Fernandes, diretor do Sinpro
Confira o vídeo do momento que os professores se aproximaram do Buriti:
Os docentes cobram uma proposta do Executivo. São contra a Reforma da Previdência, pedem a efetivação do plano de carreira e a terceira parcela do reajuste salarial concedido em 2013. Os professores reclamam que o GDF não chamou a comissão de negociação do Sinpro para dialogar. A categoria alega que enfrenta dificuldades financeiras e que só volta ao trabalho com uma proposta concreta de reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
Segundo o Palácio do Buriti, servidores efetivos e temporários terão descontos na folha de pagamento, além de cortes no valor do tíquete-alimentação e do vale-transporte.
Em nota, o GDF disse que a decisão judicial cumpre a Lei Geral de Greve aplicada ao serviço público, conforme definição do Supremo Tribunal Federal. “O corte de ponto será aplicado a todas as categorias e, no caso da Educação, tem como propósito garantir que os alunos não fiquem sem aula”, destaca trecho do documento. A reposição de aulas deve ocorrer durante o período letivo e as datas serão discutidas com a categoria.
Decisão judicial
Ao conceder a medida liminar, considerando a greve dos docentes ilegal, o magistrado alegou que “a permanência do estado de greve ocasiona transtornos a toda a sociedade, principalmente aos alunos. A suspensão das aulas põe em risco o ano letivo, além de poder prejudicar a participação em vestibulares. Muitos alunos que cursam o ensino fundamental são oriundos de família de baixa renda e não estão usufruindo, por conta da greve, das refeições oferecidas. A educação infantil tem feição assistencialista para inúmeras famílias de baixa renda que não podem pagar creches particulares e deixam as crianças na escola para poderem trabalhar e assim, proverem a própria subsistência”.
Além disso, acrescentou que “é notória a grave situação econômica em que se encontra o Distrito Federal, em que comprovadamente encontra dificuldades até mesmo de pagar salários de seus servidores, quanto mais o pagamento de reajustes. No âmbito da Administração Pública, é necessária disponibilização orçamentária para a concessão de aumentos”.
O magistrado destacou ainda que “a falta de pagamento de reajuste de vencimento concedido por lei não autoriza, por si só, a greve dos servidores”.























