Gentleman Jack, série da HBO, aborda a força da mulher lésbica

A produção, feita em parceria com a BBC, mostra a história real de uma inglesa

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atualizado 23/07/2019 18:33

Quando o assunto é séries de TV, nunca se fez um material tão diverso e ousado. Pois Gentleman Jack, seriado da HBO em coprodução com a BBC, é a quebra de todos os paradigmas em produções históricas e lésbicas que eu já vi.

As produções inglesas da BBC, ambientadas no século 19, possuem qualidade e calmaria, lembrando os livros de Jane Austen. Mulheres doces e engraçadinhas sofrem para casar e salvarem suas famílias da miséria, pois o único homem morreu ou casou com outra. Gentleman Jack vai na contramão de tudo isso, provavelmente pela contribuição da HBO, produtora conhecida pela ousadia.

No primeiro episódio, Anne Lister volta à sua cidade natal – um lugar pequeno e sem grandes eventos. Na verdade, ela é o maior evento da cidade. Filha de uma das famílias mais ricas do local, a mulher é descrita como “não muito feminina”. Se veste com elementos masculinos, monta cavalo, conduz charrete, é respondona, sobe em árvores… Enfim, um monte de coisas que não era de bom-tom para moças. A jovem também assume a administração das terras da família. Se, geralmente, nesse tipo de história ela encontraria um belo rapaz que a faria descobrir sua feminilidade, a nossa protagonista, depois de uma desilusão amorosa, conhece uma bela mulher e decide com ela se casar. É isso mesmo!

Ah, e um detalhe. Essa é uma história real sobre uma mulher que casou com outra em 1834. A série é escrita a partir dos diários da Anne verdadeira a respeito de seu casamento.

A história de Anne é vibrante, mas a série levou 20 anos até ser produzida. Sua criadora, Sally Wainwright, conta que passou todo esse tempo tentando convencer as produtoras de que a trama deveria ser feita, mas só agora, com o novo movimento nas TVs, ela encontrou abertura para falar sobre o amor entre mulheres nesses termos – sem fetichismo do amor lésbico e com uma narrativa combativa de uma forte protagonista.

É muito engraçado ver Lister inserida no contexto de romantismo daquele século. Ao mesmo tempo, a forma de representação do amor lésbico da série é inovadora. Gentleman Jack é uma antiga expressão muito chula, que seria equivalente a “sapatão” no Brasil. Realmente, a protagonista é uma típica “caminhoneira”, mas também corajosa, arrogante, inteligente e admirável.

A segunda temporada de Gentleman Jack já está confirmada. No Brasil, a primeira está disponível na HBO e é uma excelente dica para curtir neste finalzinho de mês de férias.

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