Sucesso de Euphoria mantém HBO relevante no atual mundo do streaming

O modelo serializado do canal à cabo segue resistindo ao padrão imposto por Netflix e Amazon Prime

atualizado 21/06/2019 19:26

HBO/Divulgação

Euphoria, que estreou na última semana na HBO, está causando muito mais burburinho que a terceira temporada de Jessica Jones ou a nova sequência da nacional 3% – ambas produções da Netflix. O seriado do canal à cabo deu o que falar pelas cenas de drogas e sexo, gerando até mesmo reação do grupo de pais chocados com a trama adolescente.

Criada por Sam Levinson, Euphoria segue um grupo de estudantes do ensino médio em um roteiro que envolve amor, amizades em um mundo de drogas, sexo, trauma e mídias sociais. Com apenas um episódio divulgado até o momento, o seriado se tornou mais um candidato a sucesso viral da HBO.

Com mais um sucesso, a HBO dá sinais de ser a grande sobrevivente da guerra entre a mídia tradicional e os gigantes do streaming Netflix e Amazon Prime Video. Desde abril, por exemplo, o canal a cabo tem sido motivo de debates, podcasts, reviews no YouTube e toda sorte de debate na cultura pop. O motivo? A última (e polêmica) temporada de Game of Thrones e a nova queridinha do momento, Chernobyl – dona da maior nota do site especializado IMDb.

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Outra lógica

As produções da HBO são o retrato de uma era de ouro das séries, quando os canais investiam cifras milionárias na produção de seriados que dariam o que falar durante toda a temporada. Fundado há cerca de três décadas, com início de Arquivo X, o modelo serializado consiste na divulgação semanal de capítulos, mantendo o assunto em debate.

“É a forma mais tradicional, que reinou durante muitos anos”, aponta Ciro Marcondes, colunista do Metrópoles, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e pesquisador da cultura pop.

Reprodução
Arquivo X inaugurou o modelo serializado na televisão

Essa forma de fazer televisão da HBO contrasta com o modelo instalado pelos serviços de streaming. Na Netflix e na Amazon, as temporadas são divulgadas de uma só vez, com todos os episódios disponíveis. Essa característica gerou fenômenos comportamentais, como o binge-watching – nome norte-americano para o hábito de maratonar a série.

Se, por um lado, essa característica faz os fãs ficarem horas em frente à tevê, também impõe uma nova lógica aos produtores. Afinal, os serviços precisam disponibilizar uma quantidade grande de conteúdo, já que eles são consumidos mais rapidamente pelos espectadores.

Para Ciro Marcondes, tal prática também afeta a qualidade do seriados. “Esse modelo [da HBO] dá mais tempo para trabalhar na qualidade dos programas, em vez de lançar 400 séries em um modelo quase fast-food“, avalia.

Grande orçamento

Outro fator que confirma o resistente prestígio da HBO é o orçamento de suas produções. Assim, as oito temporadas de Game of Thrones, por exemplo, custaram US$ 650 milhões – uma média de US$ 9 milhões por episódios.

Não à toa, a série medieval recebeu indicações e faturou prêmios como o Globo de Ouro, o Emmy, o Bafta e o Screen Actor Guild (SAG). As séries também catapultaram a carreira de atores, como Emilia Clarke e Sophie Turner – protagonista do atual X-Men – Fênix Negra.

Walt Disney/Fox/Divulgação
Sophie Turner: de Game of Thrones para a franquia de heróis

O orçamento também permite ao canal trazer nomes conhecidos da televisão e do cinema – o que sempre ajuda a aumentar a audiência. Euphoria, por exemplo, traz no elenco Zendaya (Homem-Aranha: De Volta ao Lar) e Eric Dane (Grey’s Anatomy).

Como competir?

Apesar da maré de sucesso da HBO, Ciro Marcondes alerta que ainda é muito cedo para concluir que o modelo serializado seguirá na era do streaming. “Os fenômenos são muito mutáveis, tornando difícil uma curva [precisa] de previsão”, opina.

A visão do especialista parece fazer eco junto à dos executivos da HBO. O canal lançou o próprio serviço de streaming, o HBO GO, que, a despeito de falhas operacionais, oferece o conteúdo a quem não utiliza a televisão por assinatura.

No entanto, mesmo no streaming, o canal insiste no modelo serializado – com a divulgação semanal de capítulos. “Talvez a HBO tenha lá seus cálculos e estatísticas para tentar compreender como esses fenômenos evoluem. Eles podem pensar que existe ainda um último nicho de mercado voltado a esse tipo de conteúdo”, conclui.

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