Zendaya mostra a importância do olhar millennial em collab com a Tommy

Além de dar um ar mais elegante às peças da etiqueta americana, artista fez show com casting negro e apresentação de Grace Jones

Ian Gavan/Getty Images For Tommy HilfingerIan Gavan/Getty Images For Tommy Hilfinger

atualizado 05/03/2019 16:57

Anunciada em outubro de 2018, a comentada colaboração da atriz e cantora Zendaya com a Tommy Hilfiger finalmente ganhou vida nas passarelas do Paris Fashion Week, mas o trabalho se mostrou muito mais do que uma simples parceria. O show de lançamento, exibido neste sábado (2/3), no Théâtre des Champs Elysées, foi uma verdadeira celebração à cultura negra, com direito a uma performance icônica de Grace Jones.

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As grifes mais tradicionais aos poucos se adaptam às diversas possibilidades das plataformas digitais, mas entender o público que move essas ferramentas ainda é uma missão difícil para muitas. Dolce & Gabbana, Prada e Gucci são algumas etiquetas que, recentemente, amargaram crises enormes por baterem de frente com os princípios políticos e sociais da geração millennial.

A mais recente colaboração da Tommy Hilfiger com Zendaya mostra que, talvez, a chave para satisfazer o público mais jovem não seja entendê-lo, mas abrigá-lo nas entranhas da empresa. Com apenas uma coleção, essa artista de 22 anos conseguiu a façanha de revolucionar o estilo das roupas, agora mais elegantes; colocar modelos plus-size na passarela da label pela primeira vez, em um casting 100% negro; e reverenciar um dos acontecimentos mais importantes da moda: a Batalha de Versailles.

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Casting do desfile foi 100% negro

 

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Apresentação teve modelos plus-size

 

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A top Winnie Harlow também marcou presença

 

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Halima Aden, modelo muçulmana conhecida por sempre estar com seu hijab

 

Segundo Tommy, a escolha de Zendaya para a colaboração pareceu uma ótima opção dentro do que a grife queria após a bem-sucedida parceria com Gigi Hadid. “Ela preencheu todos os requisitos: estrela da Disney, reconhecida na TV, bem-sucedida no cinema, aceita na música, ativista, uma mulher com mente própria e que é um ícone de estilo. Conversamos por telefone e comentei que queria suas ideias, mas o que eu não sabia é que ela tinha uma arma secreta chamada Law”, contou ao WWD.

Law Roach é o stylist que ajudou Zendaya a moldar sua imagem, e neste trabalho ele teve um papel fundamental. “Quando os dois apareceram no Chateau Marmont com esses quadros, comecei a tremer. Os anos 1970 foram minha época e eu sempre quis trazê-los de volta, mas tinha que ser de uma maneira autêntica. Foi exatamente isso que eles nos trouxeram: uma ideia que não acabou nas roupas. Tinha a música, o casting e uma oportunidade para levar essa empresa ao próximo nível”, relatou.

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Tommy Hilfiger, Zendaya e Law Roach durante reunião que definiu o rumo da colaboração

 

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Coleção conta com muitas peças em couro oxblood

 

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Listras e calças amplas não poderiam faltar

 

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Estampa com fontes setentistas

 

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Mood clássico da década de 1970

 

E deu certo. Afinal, Zendaya não só se estabeleceu como uma fashionista destemida nos red carpets como também se tornou uma ativista para todos os seus 54,4 milhões seguidores no Instagram, lançando luz sobre temas que a preocupam, como o Black Lives Matter.

Então, quando chegou a hora de criar um desfile para a ação Tommy x Zendaya, ela fez questão de colocar a cultura negra no DNA do trabalho. O lendário desfile da Batalha de Versailles, de 1973, foi o ponto de partida do show. Na ocasião, estilistas americanos e franceses travaram uma disputa focada em arrecadar fundos para a revitalização do Palácio de Versailles.

Na época, a moda americana era tímida e não se comparava ao mercado francês, mas, curiosamente, os designers americanos ganharam o embate. Yves Saint Laurent, Givenchy, Ungaro, Pierre Cardin e Christian Dior apresentaram trabalhos muito bem executados, mas Halston, Oscar de la Renta, Bill Blass, Stephen Burrows e Anne Klein tinham uma carta na manga.

Reprodução
Imagem da Batalha de Versailles

 

Em uma cena inédita nas passarelas de Paris, os americanos colocaram 10 modelos negras para desfilar suas peças. Elas posaram, dançaram e mostraram um sex appeal nunca visto pelas maisons francesas, surpreendendo a todos com passos pontuais e sem falhas.

Foi exatamente esse espírito que Zendaya e Law levaram à apresentação da Tommy. Na primeira fila, marcaram presença: Bethann Hardison, uma das modelos que andaram na Batalha de Versailles; Tyra Banks; Janelle Monáe; Yara Shahidi; e Gigi Hadid.

Na passarela, nomes como Beverly Johnson (primeira modelo afro-americana a estrelar a capa da Vogue America), Veronica Webb (primeira mulher negra a ter um grande contrato de cosméticos) e Pat Cleveland (presença indispensável em vários shows da Chanel, Yves Saint Laurent e Valentino) estrelaram o casting, marcado pela diversidade.

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Camisa em lurex e malha canelada, com botas over-the-knee

 

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Zendaya deu tom mais elegante às peças da Tommy

 

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Combinação em xadrez

 

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Trabalho deve trazer o disco de volta ao street style

 

Modelos de 18 a 70 anos de idade, de todos os tipos corporais, tiveram seus momentos de destaque, em um clima descontraído que deu uma nova vida às peças setentistas da coleção. As calças amplas, o couro oxblood, as estampas características da era disco e os vestidos de gala ganharam ritmo enquanto todas sorriam, acenavam, brincavam com seus cabelos e faziam poses descontraídas.

Essa, inclusive, é a primeira vez que a Tommy trabalha com roupas de festa. “Não é algo que eles costumam fazer, mas nós queríamos, porque Zendaya é conhecida por seus looks nos tapetes vermelhos. Tem uma pegada Halston com uma pitada de Saint Laurent. Muitos deles são frisados, mas a técnica usada pela equipe da Hilfiger é realmente leve”, afirmou Law.

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Um dos vestidos de festa da coleção

 

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Pat Cleveland dá pivô na passarela

 

De todos os lados, a multidão gritava, principalmente quando Pat Cleveland deixou a sala boquiaberta ao fazer seu giro de assinatura, mas ninguém estava preparado para o que eu estava por vir.

Grace Jones, aos 70 anos, fechou a apresentação cantando o hit Pull Up to the Bumper, de 1981. Enquanto a veterana entoava seus versos, as 59 modelos negras apareceram vestindo apenas camisetas e jeans, ao lado de Zendaya, Hilfiger e Roach.

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Grace Jones fechou o desfile com entrada triunfal

 

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Hilfiger acertou em cheio ao convidar Zendaya para a colaboração

 

Todas as peças da nova coleção já estão à venda no e-commerce da empresa. Ainda não se sabe se Zendaya continuará com a Tommy na próxima temporada, mas a grife deveria absorver a evolução iniciada pela artista. Ela conseguiu fazer uma mudança realmente positiva na imagem da label. Que as marcas continuem oxigenando a moda com esses olhares mais jovens e cheios de vida!

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Colaborou Danillo Costa

SOBRE O AUTOR
Ilca Maria Estevão

Bacharel em psicologia pela Universidade Georgetown, em Washington D.C. (EUA). É a colunista de moda do Metrópoles e acompanha a movimentação na indústria fashion nacional e internacional. Além da curadoria de Ilca, o espaço tem a colaboração dos repórteres Rebeca Ligabue, Hebert Madeira, Danillo Costa e Sabrina Pessoa. Após passar por rigoroso processo de pesquisa, apuração e troca de ideias, as matérias são publicadas diariamente às 5h30, às 12h e às 15:30h. Às terças, quintas e aos domingos, o primeiro texto postado na coluna é uma reportagem especial.

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