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No fim de 2018, a Prada enfrentou diversas críticas por um boneco que remetia à prática racista chamada blackface. O termo faz referência a uma representação pejorativa de pessoas negras no teatro americano, no fim do século 19.

Naquela época, brancos pintavam a pele de carvão e usavam um batom vermelho na boca para interpretar personagens negros, além de reforçarem estereótipos negativos sobre o comportamento da comunidade afro-americana.

Recentemente, outra marca de luxo se envolveu em uma polêmica sobre esse tema. Um moletom preto da Gucci incluía uma gola alta que chegava até a região da boca, com um detalhe vermelho remetendo a lábios grossos. O fato de a imagem do site ter uma modelo loira de olhos claros usando a peça agravou ainda mais a situação.

O item da grife italiana repercutiu na internet e gerou uma série de comentários. Alguns deles, de celebridades como o rapper 50 Cent, que chegou queimar seus produtos da label.

Vem comigo!

 

Pelo Instagram, 50 Cent chegou a afirmar que doaria todos os seus produtos da Gucci para pessoas sem-teto. Nessa quarta-feira (13/2), o músico publicou um vídeo queimando uma camiseta em cima de uma pilha de outras peças. “Preciso me livrar de toda a Gucci que tenho em casa. Não estou mais apoiando a marca”, escreveu no post.

O artista do hip-hop também criticou o boxeador Floyd Mayweather por dizer que não estava preocupado com a polêmica, ao sair de uma butique da Gucci com várias sacolas.

Tom Briglia/WireImage via Getty Images

Em 2016, o rapper ganhou uma bolsa Gucci de presente do amigo Jeremih

 

O diretor Spike Lee, que concorre ao Oscar pelo filme Infiltrado na Klan, também se manifestou. Ele não usará Gucci ou Prada até as marcas contratarem mais designers negros para seu staff. “As grifes precisam de profissionais negros dentro do escritório quando essas coisas acontecem”, enfatizou Lee.

Reprodução/Instagram/@officialspikelee

Spike Lee disse que não usaria mais grifes como Gucci e Prada até elas terem mais profissionais negros na equipe

 

Já os rappers T.I, Waka Flocka Flame e Soulja Boy também falaram abertamente sobre a questão. O último, inclusive, começou a remover a tatuagem com a logo da grife de seu rosto. “Como um cliente que consome sete dígitos e um apoiador de longa data da sua marca, eu devo dizer: vocês fod***m com a gente. Desculpas não aceitas. Nós não iremos aceitar esse ‘ops, foi mal, não era nossa intenção ser racista’”, escreveu T.I na rede de compartilhamento de fotos.

Reprodução/Instagram/@souljaboy

Soulja Boy era grande fã da marca e tem até o logotipo tatuado na testa

 

Reprodução/Instagram/@wakaflocka

Outro rapper que anunciou o boicote foi Waka Flocka Flame

 

Depois da repercussão do caso, a marca fez um pronunciamento oficial afirmando que os itens seriam retirados de circulação nas lojas físicas e on-line. Se comprometeu, ainda, a promover o respeito e o reforço à diversidade. “Estamos totalmente comprometidos em aumentar a diversidade por toda a nossa companhia e tornar esse incidente um poderoso momento de aprendizado para o time Gucci”, disse o comunicado.

Divulgação/Gucci

Moletom da Gucci que gerou a polêmica

 

Reprodução/Instagram/@mr.edkavishe

O estereótipo do século 19 conhecido como blackface deu origem a vários personagens racistas

 

Reprodução/Instagram/@mr.edkavishe

A pele pintada de carvão e os lábios exageradamente vermelhos eram uma representação pejorativa das pessoas negras no teatro do século 19

 

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Colaboraram Danillo Costa e Hebert Madeira



 


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