Centros de Testagem de HIV são importantes para toda a população

Os locais ajudam na prevenção da doença e de outras ISTs

barkarola/istock

atualizado 16/07/2019 19:25

Você já foi a algum Centro de Testagem e Aconselhamento (CAT) de HIV e ISTs (infeções sexualmente transmissíveis)? Se sim, sabe o sentimento de apreensão que ronda aquele ambiente? É justamente por essa sensação que se torna imprescindível sua existência e pleno funcionamento.

Antes de mais nada, é injusto como geralmente este assunto só é tratado em meios de comunicação de temática LGBT. Entre heterossexuais, HIV é debatido no mundo médico, muito restrito, enquanto que, para LGBTs, o assunto aparece em livros, filmes, teatro e conversas correntes. E não é porque “estamos mais sujeitos a nos contaminar” – apenas o preconceito ainda diz isso! Não estamos falando de uma “doença de veado e promíscuos”. Portanto, as informações aqui trazidas são de interesse de todos.

Esclarecido isso, vamos ao CTAs. Esses espaços são fruto do trabalho da ciência combinada com a luta política pelo nosso direito de sobreviver a uma epidemia. São locais onde gratuitamente se podem fazer testes de HIV e IST (antigas DSTs), como hepatites B e C e sífilis. Também são lugares de distribuição de camisinhas masculinas e femininas (ainda o método de prevenção mais seguro), bem como de orientação.

Existe o teste rápido de HIV, em que o resultado sai em alguns minutos. Nem dá para mensurar o quanto isso foi importante, pois imagine: no auge do medo da AIDS, esperar meses pelo diagnóstico. Era uma tortura.

Para ter noção, há um episódio na série The Golden Girls em que a personagem Rose tem a suspeita de estar infectada por causa de uma transfusão de sangue. No capítulo, acompanhamos a luta das suas amigas em continuar tratando-a como antes, enquanto aguardam o resultado do exame. Foi uma bela demonstração de carinho de um seriado que foi abraçado pela comunidade gay nos anos 1980 e, até hoje, segue sendo uma forte referência.

Uma questão periférica, mas ainda assim sintomática, é o fato de que os CTAs geralmente ficam em locais centrais das cidades. Isso expõe uma tirada do armário da doença e seu enfrentamento com dignidade. Em Brasília, por exemplo, há um centro de testagem na Rodoviária do Plano Piloto, no coração da cidade, ao alcance de qualquer cidadão – reiterando, sem medo de ser repetitivo: o exame deve ser feito por todos!

Caso o resultado seja positivo, o centro já dá todos os encaminhamentos necessários ao início do tratamento. Lembrando: não há razão para desespero, o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece os remédios de graça, e soropositividade não é mais sinônimo de morte. Na verdade, nunca foi. Somente na cabeça de preconceituosos que desejavam a morte de LGBTs e usaram a falta de conhecimento para legitimar seus ódios.

Se você nunca foi a um centro de testagem, vá. Faça um teste. É um direito nosso. E não vamos nos iludir achando que não precisamos mais evitar a contaminação. Precisamos tanto nos prevenir quanto dar apoio e carinho aos soropositivos.

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