“Fui tomado pelo ódio”, diz homem que matou a ex por ciúmes no DF

Jhonnatan Neto deu duas facadas em Lilian Cristina, nesta quinta-feira (12/09/2019), porque não aceitava o novo relacionamento dela

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atualizado 12/09/2019 13:52

“Fui tomado pelo ódio”. Com essa frase, o caseiro Jhonnatan Neto, 36 anos, tentou explicar à polícia o motivo de ter assassinado, a facadas, a ex-companheira Lilian Cristina da Silva Nunes, 25. O crime aconteceu na manhã desta quinta-feira (12/09/2019), no Núcleo Rural Boqueirão, no Paranoá. A vítima foi pega de surpresa, quando tentava conversar com o agressor. Sem chance de defesa, levou duas facadas, segundo os vizinhos que a socorreram. Levada ao Hospital Regional do Paranoá (HRPa), a jovem não resistiu aos ferimentos e morreu.

Em depoimento na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Jhonnatan Neto contou que ficou preso sete anos por roubo e teria conhecido a vítima em um dos saidões, há cerca de um ano. De acordo com o suspeito, os dois decidiram morar juntos há quatro meses, quando começaram a trabalhar na chácara em que o crime aconteceu. O assassino confesso disse que, há 15 dias, os dois brigaram e decidiram dormir em cômodos separados: Lilian no quarto e ele na sala. Para evitar contato, os ambientes eram divididos por um forro de PVC.

Ainda segundo o agressor, a mulher teria iniciado outro relacionamento com um colega de escola. Para Jhonnatan, foi o estopim. “Quando fui tomar satisfação, ela me chamou de corno. Fui tomado pelo ódio”, relatou aos policiais. Em seguida, disse que perdeu o controle da situação, encontrou a faca perto de uma porteira e atingiu Lilian. “Estou com remorso. Ficou um vazio. Amo muito ela”, lamentou.

Um agente penitenciário que estava no local conteve o homem fazendo dois disparos para cima. Ele socorreu a mulher no próprio carro. Em seguida, retornou à chácara do crime e conduziu o assassino à delegacia. Jhonnatan foi autuado em flagrante.

A princípio, o caso está sendo investigado como feminicídio. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública no DF, de janeiro a agosto deste ano, foram registrados 19 feminicídios na capital do país.

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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