Deputados e jornalistas debatem como a imprensa pode ajudar no combate à violência contra a mulher

Encontro, que contou com a presença de membros de outros veículos de comunicação, abordou o tema da violência doméstica

atualizado 01/10/2019 22:35

Em que medida a cobertura da imprensa pode fazer diferença no combate à violência contra a mulher? Durante quase quatro horas, na tarde dessa terça-feira (01/10/2019), parlamentares e jornalistas se dedicaram à reflexão sobre o tema, que é o foco de uma das comissões em funcionamento na Câmara dos Deputados.

Na oportunidade, a diretora de redação do portal Metrópoles, Lilian Tahan, apresentou o projeto editorial Elas por Elas que, com reportagens aprofundadas, conta a história de cada uma das vítimas de feminicídio do Distrito Federal.

“Decidimos que em 2019 iniciaríamos uma nova metodologia de cobertura, investindo estrutura e energia não só na contagem dos episódios crescentes de agressão contra elas, mas, sobretudo, no resgate histórico de contexto de vida dessas vítimas, como forma de chamar a atenção das autoridades e da comunidade para o problema”, afirmou.

Lilian Tahan

Desde o início do ano, o portal publica em sua capa o número de vítimas da violência doméstica que já foram à polícia registrar que corriam perigo, acompanha as políticas públicas destinadas a combater a violência doméstica como também o funcionamento da rede de proteção às vítimas no Distrito Federal. O conteúdo reúne, ainda, entrevistas com especialistas de diferentes áreas que atuam no enfrentamento do problema, como juízes, promotores, delegados, profissionais de segurança pública, da área de saúde e de assistência social.

Presidente da Comissão Externa de Combate à Violência Contra a Mulher e Feminicídio, a deputada pelo DF Flávia Arruda destacou a importância do projeto editorial Elas por Elas. “É uma iniciativa que dá voz às mulheres, contribuindo para que o tema tenha a visibilidade necessária”, pontuou. A deputada, que convocou a audiência pública dessa terça-feira (01/10/2019), lembrou que o enfrentamento à violência doméstica deve ser feito em múltiplas frentes.

A deputada Greyce Elias (Avante-MG) propôs às jornalistas a criação de um grupo de trabalho para sistematizar parcerias entre a Câmara e os veículos no desenvolvimento de iniciativas que promovam o combate à violência contra as mulheres.

Também de Minas Gerais, a deputada Áurea Carolina (Psol) lembrou um dos casos de feminicídio que chocaram o Distrito Federal neste ano. Diva Maria Maia da Silva foi morta pelo marido em 28 de janeiro último, aos 69 anos. Eles estavam casados havia 50 anos. “Um casal de idosos, de classe média, bem estabelecido. Décadas e décadas de abusos que culminam em um feminicídio. Isso chama nossa atenção para dizer que não tem hora para interceder. É nossa responsabilidade ter uma vigilância permanente e dar visibilidade para essas situações”, disse a parlamentar.

A coordenadora de Cidades do Correio Braziliense, Adriana Bernardes, apresentou reportagens publicadas no veículo sobre o assunto e destacou a tentativa de humanizar a cobertura, respeitando a vítima e seus familiares. “É um esforço diário que fazemos. Todos os dias, trabalhamos para tentar acertar”, afirmou. Em seguida, a jornalista Renata Varandas, da TV Record, explicou os limites que a cobertura televisiva encontra para tratar o tema com profundidade. “A violência rende audiência, e o nosso desafio é não estereotipar nem agressor nem vítima”, afirmou Renata.

Consultora do Instituto Patrícia Galvão, Luciana Araújo sublinhou a importância de uma cobertura contextualizada que vá além dos fatos policiais. “A cobertura já evoluiu muito, vocês estão no caminho certo, com abordagens aprofundadas sobre o tema. É necessário, acima de tudo, respeito às vítimas e suas famílias e que não se romantizem crimes”, alertou.

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