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Violência contra a mulher

Acusado de 1º feminicídio de 2019 no DF é condenado a 8 anos

Tiago Joaquim responderá por lesão corporal seguida de morte da mulher, Vanilma, em regime semiaberto. MP vai recorrer da decisão

22/01/2020 08:34, atualizado 22/01/2020 13:54
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Acusado de 1º feminicídio de 2019 no DF é condenado a 8 anos
Acusado de 1º feminicídio de 2019 no DF é condenado a 8 anos

Tiago de Souza Joaquim (foto em destaque), 33 anos, acusado de matar a própria esposa, Vanilma Martins dos Santos, 30, com uma facada no tórax, foi condenado a 8 anos de prisão em regime semiaberto. O julgamento no Tribunal do Júri do Gama ocorreu nessa terça-feira (21/01/2020).

Os jurados não reconheceram o crime de homicídio doloso (com intenção de matar) e o desclassificaram para homicídio culposo. No momento da sentença, a juíza Maura de Nazareth condenou o acusado por lesão corporal seguida de morte. O Ministério Público recorreu, por entender que a decisão contraria a prova dos autos. Os promotores querem um segundo julgamento. A pena para feminicídio é de 12 a 30 anos.

A juíza impôs ainda medidas que devem ser cumpridas pelo homem, uma delas é não ter qualquer contato com os familiares da vítima. Com a decisão, Tiago Joaquim foi solto logo após o júri. O crime foi investigado como o primeiro feminicídio registrado no DF em 2019, que encerrou o ano com o total de 33 crimes dessa natureza.

O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) sustentou três qualificadoras. Motivo fútil, uma vez que o crime foi cometido por causa de uma discussão; mediante recurso que dificultou a defesa da vítima; e praticado contra mulher e em contexto de violência doméstica e familiar, pois denunciado e vítima eram companheiros, residiam na mesma residência e tinham um filho, o que caracteriza feminicídio, no entendimento dos promotores.

Vanilma foi assassinada na madrugada de 5 de janeiro de 2019 no Setor Leste do Gama. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Tiago chegou em casa embriagado e discutiu com a vítima. Em seguida, pegou uma faca e matou a companheira com um golpe no tórax. O filho do casal, de 3 anos, estava no local no momento do crime.

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 Thiago de Souza Joaquim, 33 anos
O cenário da tragédia foi uma casa de fundos no Gama
Vanilma Martins dos Santos foi esfaqueada pelo marido, Tiago de Souza Joaquim, em 05/01/2019
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Vanilma Martins dos Santos foi esfaqueada pelo marido, Tiago de Souza Joaquim, em 05/01/2019

Arquivo pessoal
 Thiago de Souza Joaquim, 33 anos
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Thiago de Souza Joaquim, 33 anos

Reprodução
O cenário da tragédia foi uma casa de fundos no Gama
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O cenário da tragédia foi uma casa de fundos no Gama

Luísa Guimarães/Metrópoles

Para evitar a prisão em flagrante, Tiago largou a mulher sozinha às 3h30 na emergência Hospital Regional do Gama (HRG). Vanilma chegou consciente, mas sangrava muito. Tinha um talho profundo no lado esquerdo do peito. Não contou a ninguém quem a havia atacado. Estava preocupada com o filho. Ele havia ficado sozinho em casa. A mulher implorou aos policiais para que fossem socorrer Enzo.

A história de Vanilma foi tema do projeto Elas por Elas, do Metrópoles, que retratou os feminicídios ocorridos no DF em 2019.

Apesar da fuga de Tiago, não foi difícil para a polícia descobrir como o assassinato aconteceu. Ao chegar ao endereço indicado por Vanilma, os PMs encontraram a sala da casa ainda suja de sangue e informaram o fato à Polícia Civil, que foi até o local. Imediatamente, o marido passou a ser o principal suspeito do feminicídio e, em diligências, os agentes acharam a faca utilizada no crime em cima do telhado da residência do casal.

Segundo contou à polícia quando se entregou, Tiago teria apenas simulado que arremessaria a faca em direção à mulher, mas a lâmina “escapuliu” da bainha e atingiu o corpo de Vanilma, do lado esquerdo, na altura do peito. Mesmo antes de o laudo ficar pronto, o delegado Vander Braga, da 20ª DP (Gama), à época, considerou a história inverossímil. “É uma versão que ele está criando para si mesmo. Uma faca daquele modelo não tem bainha, não escapole nem mata sozinha uma pessoa”, afirmou. A experiência deu razão ao policial: o laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que o corte não era compatível com um arremesso, e sim como uma punhalada.