Você corre? Ortopedista faz alerta sobre “virar o pé” na corrida
Lesões repetitivas nos pés de corredores podem indicar instabilidade crônica; ortopedista alerta para riscos de negligenciar a dor
atualizado
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A cena é comum nas pistas e trilhas: um desnível no solo, um movimento em falso e a dor aguda do pé que “vira”. Embora muitos corredores ignorem o episódio após o alívio imediato, o que parece um incidente isolado pode ser o sintoma de algo mais grave. A entorse de tornozelo é a lesão mais frequente no meio esportivo e, quando negligenciada, abre as portas para quadros de dor persistente e lesões ligamentares crônicas que comprometem a performance e a saúde do atleta a longo prazo.
Entenda
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A recorrência é um alerta: episódios frequentes de entorse sugerem que os ligamentos podem estar comprometidos.
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Causas multifatoriais: além do terreno, fraqueza muscular e calçados errados são gatilhos comuns.
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Controle neuromuscular: a falta de “comunicação” eficiente entre cérebro e músculos aumenta o risco.
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Prevenção é o foco: o tratamento vai além da dor; exige investigar a origem mecânica do problema.
De acordo com o ortopedista Gustavo Nunes, o grande erro de quem pratica corrida é tratar a entorse apenas como um incômodo passageiro.
“Na maioria das vezes, parecem situações simples. No entanto, quando esse episódio se repete ou gera dor persistente, pode indicar uma lesão ligamentar crônica que precisa de atenção especializada”, explica o médico.
A vulnerabilidade do tornozelo não está ligada apenas ao impacto da corrida em si, mas a um conjunto de fatores biomecânicos. O especialista destaca que alterações posturais, fraqueza muscular e, principalmente, a falta de controle neuromuscular — a capacidade do corpo de reagir rapidamente a um desequilíbrio — são os principais vilões.
Somado a isso, o ambiente externo desempenha um papel crucial. “Treinos realizados em terrenos irregulares sem o preparo adequado ou o uso de tênis que não oferecem o suporte necessário potencializam o risco de o pé ceder durante a passada”, explica o médico.
Para Gustavo, a reabilitação deve ser estratégica. “Além do tratamento ortopédico da lesão em si, é essencial investigar a causa raiz. Com um diagnóstico preciso e um plano de reabilitação bem orientado, conseguimos reduzir drasticamente o risco de novas entorses”, afirma. O objetivo final é devolver ao corredor a segurança necessária para que o esporte continue sendo uma prática saudável, e não uma fonte de lesões sucessivas.








