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Vida & Estilo

Vinho de 1899 é aberto após 127 anos — e o resultado surpreende

Romanée-Conti de 1899, avaliado em mais de R$ 600 mil, foi aberto após 127 anos em degustação histórica na França

Sonia Vilas Boas09/03/2026 10:07
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Reprodução/Instagram/@nedgoodwinmw
montagem com paisagem de vinícola e garrafa de vinho de 127 anos

Abrir uma garrafa de vinho com mais de um século de idade pode ser uma aposta arriscada. Em muitos casos, o líquido já perdeu aroma, sabor e estrutura. Mas uma degustação recente provou que, às vezes, o tempo pode guardar surpresas extraordinárias.

Um raríssimo Romanée-Conti da safra de 1899, hoje avaliado em mais de R$ 600 mil, foi finalmente aberto após 127 anos guardado. O momento reuniu especialistas e colecionadores para descobrir se o vinho ainda estaria bebível — ou se teria se transformado apenas em uma curiosidade histórica.

O resultado, segundo os participantes, foi surpreendente.

A relíquia que atravessou mais de um século

Produzido na Borgonha, na França, o vinho veio do lendário Domaine de la Romanée-Conti, considerado um dos produtores mais prestigiados do planeta.

A garrafa passou décadas guardada na adega de uma antiga família aristocrática francesa. Após a morte de um descendente, acabou sendo incluída em um leilão local em 2011, misturada a outros vinhos antigos.

Como o rótulo estava bastante desgastado, o item inicialmente não recebeu grande destaque. Só depois da compra especialistas perceberam que se tratava de uma raridade histórica.

O restaurante escolhido para a degustação

A garrafa acabou adquirida pelo empresário e investidor de vinhos de Singapura Soo Hoo Khoon Peng, conhecido por negociar rótulos raros.

Cerca de um ano depois da compra, ele decidiu organizar uma degustação privada para abrir a relíquia.

O cenário escolhido foi o restaurante presente no Guia Michelin, Auprès du Clocher, em Pommard, um endereço respeitado na região vinícola da Borgonha e frequentado por colecionadores e especialistas. O encontro aconteceu em uma sala reservada do local, reunindo seletos convidados para testemunhar um momento histórico para o mundo do vinho.

O suspense no momento da abertura

Segundo relatos, quando a rolha finalmente foi retirada, a expectativa era enorme. Vinhos tão antigos muitas vezes se deterioram completamente ao longo do tempo.

Ao ser servido nas taças, o líquido apresentou tom âmbar profundo, com reflexos alaranjados, típico de bebidas extremamente envelhecidas.

Nos aromas, especialistas identificaram notas delicadas que lembravam chá preto, frutas secas e flores envelhecidas — sinais de que o vinho ainda guardava complexidade. Especialistas explicam que pouquíssimos vinhos conseguem resistir por mais de um século sem perder totalmente suas características.

Após provar o vinho, Soo Hoo resumiu a experiência de forma direta. “O fato de o vinho ainda estar vivo já é um alívio”, afirmou o colecionador em entrevista à CNN.

Mais do que avaliar qualidade ou pontuação, a degustação acabou se transformando em uma experiência histórica: provar um vinho produzido ainda no século XIX.

Um dos convidados da degustação, o crítico de vinhos Ned Goodwin, também compartilhou a experiência nas redes sociais. Em uma postagem no Instagram, ele descreveu a garrafa centenária como um verdadeiro “caleidoscópio líquido de momentos, pessoas e lugares”, ressaltando o valor simbólico de provar um vinho que atravessou tantas gerações.

Na mesma publicação, Goodwin afirmou que o encontro foi também uma “celebração da urgência do agora, resoluta e sincera”, destacando a emoção de dividir aquele instante raro com outros apaixonados pelo mundo do vinho.

Da virada do século às guerras mundiais

O vinho de 1899 atravessou momentos históricos como duas guerras mundiais, transformações na viticultura e mais de um século de mudanças no mundo antes de finalmente ser aberto.

Para isso, é necessário reunir uma combinação rara de fatores: uvas de altíssima qualidade, técnicas de produção cuidadosas e, principalmente, condições de armazenamento praticamente perfeitas por décadas. Qualquer variação de temperatura, luz ou transporte poderia ter destruído o conteúdo da garrafa.

Por isso, quando um vinho com 127 anos ainda consegue ser degustado e revelar aromas complexos, muitos especialistas não hesitam em definir o momento como algo raro no universo da enologia.

Quase um pequeno milagre dentro de uma taça.

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