Uso de sanguessugas para tratar acne preocupa dermatologistas; entenda
Vídeos que mostram sanguessugas no rosto prometem reduzir espinhas e cicatrizes, mas expert alerta para a falta de evidência científica
atualizado
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Vídeos que mostram o uso de sanguessugas no rosto para tratar espinhas e cicatrizes de acne começaram a viralizar nas redes sociais, despertando curiosidade e preocupação entre especialistas. A prática, conhecida como hirudoterapia, consiste no uso de sanguessugas vivas para sugar pequenas quantidades de sangue.
Vale destacar que, em alguns contextos médicos, o método já foi utilizado para melhorar a circulação sanguínea em cirurgias reconstrutivas. No entanto, a técnica voltou a ganhar atenção recentemente após influenciadores divulgarem sua suposta eficácia para tratar problemas de pele, como acne.

Como funciona
Nos vídeos, as sanguessugas são colocadas diretamente sobre áreas inflamadas do rosto, com a promessa de reduzir espinhas, desinflamar a pele e melhorar cicatrizes.
A justificativa apresentada por defensores da prática é que a saliva desses animais contém substâncias com propriedades anti-inflamatórias e anticoagulantes.
Alerta
Apesar da popularidade on-line, dermatologistas alertam que não há evidências científicas sólidas que comprovem a eficácia da técnica para tratar acne.
A dermatologista Natasha Crepaldi explica ao Metrópoles que a acne é uma doença inflamatória complexa da pele, relacionada à produção de sebo, inflamação e bactérias, seguido de fibrose multifatorial no caso das cicatrizes. Por isso, o quadro exige tratamentos dermatológicos específicos e comprovados.
A médica destaca ainda que esse tipo de procedimento pode trazer vários riscos, principalmente por ser feito fora de um ambiente médico.
“Os riscos são extremamente sérios e incluem infecções bacterianas graves, transmissão de doenças como hepatite B, C e HIV, cicatrizes permanentes, hiperpigmentação, reações alérgicas severas e sangramento prolongado. Sem acompanhamento médico, os riscos aumentam exponencialmente, podendo levar a septicemia e anemia por perda sanguínea”, diz Crepaldi.
Existe também o risco específico de infecção pela bactéria presente no trato digestivo das sanguessugas, que pode causar infecções graves na pele. Além disso, podem ocorrer sangramento prolongado, alergias, inflamação ou cicatrizes, transmissão de infecção.
Por isso, a profissional salienta que, quando sanguessugas são usadas na medicina, isso acontece em ambiente hospitalar e com antibióticos preventivos, justamente para reduzir esses riscos.
A promessa de cura “milagrosa”
Natasha acredita que esses procedimentos viralizam porque as redes sociais favorecem conteúdo sensacionalista que promete “curas milagrosas” para problemas comuns como acne.
“O problema é que viralização não significa eficácia científica. O apelo visual impactante gera engajamento, e muitas pessoas desesperadas por soluções acabam acreditando em desinformação disfarçada de medicina alternativa”, comenta.
Tratamentos recomendados
Em vez disso, a médica recomenda tratamentos comprovados como retinoides tópicos, peróxido de benzoíla, laser fracionado para cicatrizes, microagulhamento profissional, terapias regenerativas, bioestimuladores e isotretinoína oral para casos severos.
“Estes tratamentos têm eficácia comprovada e são seguros quando realizados com acompanhamento dermatológico adequado”, finaliza a profissional.








