Traição no casamento: a crise nem sempre começa com o flagrante

Para terapeuta, o ato é responsabilidade de quem trai, mas a dinâmica prévia do casal e a reconstrução envolvem ambos os parceiros

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

SimpleImages/Getty Images
homem pego traindo
1 de 1 homem pego traindo - Foto: SimpleImages/Getty Images

O impacto da descoberta de uma traição vai muito além do ato em si, atingindo a confiança e desestruturando a imagem do parceiro. No entanto, o desgaste de uma relação quase sempre se inicia de forma silenciosa, por meio de afastamentos e rupturas de acordos emocionais que antecedem a mensagem descoberta ou o encontro revelado. Segundo a terapeuta familiar Aline Cantarelli, a infidelidade deve ser tratada como um trauma relacional que deixa marcas para a vida inteira, exigindo uma distinção clara entre a culpa pelo ato e as responsabilidades pela dinâmica do casal.

Entenda

  • Responsabilidade pelo ato: a traição é 100% responsabilidade de quem trai, enquanto a relação que existia antes dela é responsabilidade de ambos.

  • Além do aspecto sexual: a quebra de confiança também ocorre de forma emocional, financeira e de confiabilidade, como esconder dinheiro ou expor intimidades.

  • Brechas cotidianas: pequenas permissões diárias e o compartilhamento excessivo da rotina com terceiros criam espaços emocionais que esvaziam o casamento.

  • Processo de reconstrução: perdoar não significa esquecer; refazer o vínculo exige arrependimento consistente, reparação e cuidado com a autoestima ferida.

De acordo com Aline Cantarelli, confundir a responsabilidade da traição com o histórico do casamento é um dos erros mais comuns. Separar esses pontos impede que a pessoa traída assuma uma culpa que não possui e permite que o casal avalie a relação construída antes da ruptura, caso haja o desejo real de reconciliação.

A traição é a quebra de confiança e lealdade em um relacionamento, indo além do ato físico e envolvendo mentiras, desrespeito ou envolvimento emocional

A quebra do pacto conjugal nem sempre se restringe ao campo sexual ou surge de uma decisão explícita. Muitas vezes, ela se desenvolve a partir de interações recorrentes no cotidiano — como caronas frequentes ou conversas emocionais constantes com colegas de trabalho —, nas quais o indivíduo passa a dedicar mais tempo de qualidade e intimidade a terceiros do que ao próprio cônjuge. Para a especialista, manter a vigilância sobre os próprios limites e ter consciência sobre carência, vaidade e desejo são fatores essenciais para a preservação do casamento.

Diante da descoberta de uma traição, a orientação da expert é não tomar atitudes definitivas ou agir por impulso no auge da dor, da raiva ou do choque. “Antes de expor a situação ou confrontar o parceiro, a pessoa traída deve avaliar se quer ou não investir na continuidade da relação, uma vez que reações motivadas puramente pelo trauma podem gerar consequências complexas de administrar”, ressalta a especialista.

Para os casos em que se escolhe seguir em frente, a terapeuta ressalta que o perdão não apaga a marca deixada. A reconstrução depende do arrependimento genuíno de quem traiu, disposição para reparar a confiança e suporte psicológico — individual ou de casal — para lidar com o rancor ou com a obsessão pelo tema.

Traição no casamento: a crise nem sempre começa com o flagrante - destaque galeria
6 imagens
Atualmente, existem diversos tipos de relações, monogâmicas ou não
Cada vez mais pessoas se sentem confortáveis para explorar novos tipos de relacionamento
Entretanto, a geração Z parece ainda ser majoritariamente monogâmica
Pesquisas mostram que dormir com a parceria pode melhorar o sono e o bom-humor
Boletos e trabalho acabam com o tesão do brasileiro, segundo pesquisa
Estar em um relacionamento saudável envolve uma troca de confiança
1 de 6

Estar em um relacionamento saudável envolve uma troca de confiança

Getty Images
Atualmente, existem diversos tipos de relações, monogâmicas ou não
2 de 6

Atualmente, existem diversos tipos de relações, monogâmicas ou não

Getty Images
Cada vez mais pessoas se sentem confortáveis para explorar novos tipos de relacionamento
3 de 6

Cada vez mais pessoas se sentem confortáveis para explorar novos tipos de relacionamento

Getty Images
Entretanto, a geração Z parece ainda ser majoritariamente monogâmica
4 de 6

Entretanto, a geração Z parece ainda ser majoritariamente monogâmica

Getty Images
Pesquisas mostram que dormir com a parceria pode melhorar o sono e o bom-humor
5 de 6

Pesquisas mostram que dormir com a parceria pode melhorar o sono e o bom-humor

Getty Images
Boletos e trabalho acabam com o tesão do brasileiro, segundo pesquisa
6 de 6

Boletos e trabalho acabam com o tesão do brasileiro, segundo pesquisa

Getty Images

Além disso, o cuidado com a autoestima é apontado pela especialista como um ponto central pós-flagrante. “O questionamento sobre o próprio valor, corpo ou idade decorrente da comparação com a terceira pessoa deve ser evitado, buscando-se a retomada do autocuidado não como uma resposta ao ocorrido, mas como resgate de autonomia e identidade.”

Por fim, a terapeuta destaca que existe vida após a traição, seja por meio do término legítimo ou de uma nova etapa conjugal fundamentada no compromisso mútuo. Permanecer na relação por medo, dependência ou pressão social apenas prolonga o sofrimento, tornando indispensável que qualquer caminho escolhido seja uma decisão consciente diante da ruptura.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comVida & Estilo

Você quer ficar por dentro das notícias de vida & estilo e receber notificações em tempo real?