Falta de ereção: motivos podem ir além das questões psicológicas

Ansiedade, pressão por desempenho, álcool, estresse e alterações hormonais podem fazer a ereção falhar durante a relação

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Homem chateado sentado na cama com mulher nas costas. Conceito de problemas sexuais. Metrópoles
1 de 1 Homem chateado sentado na cama com mulher nas costas. Conceito de problemas sexuais. Metrópoles - Foto: vitranc/Getty Images

No momento da relação sexual, a falta de ereção pode estar ligada a outros fatores que vão muito além de “não haver vontade”. Pressão para performar, ansiedade e alterações hormonais, por exemplo, estão entre os motivos, mas se for prolongada torna-se um sinal de alerta para a saúde.

De acordo com o urologista Rodrigo Trivilato, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a perda de ereção ocasionalmente é algo comum e pode acontecer também por fatores como estresse, cansaço, noites mal dormidas e consumo excessivo de álcool.

A principal diferença entre uma dificuldade pontual e a disfunção erétil é a recorrência. Episódios isolados acontecem com a maioria dos homens em diferentes fases da vida. Já a disfunção erétil é caracterizada pela incapacidade frequente de obter ou manter a ereção durante a relação sexual.

“A condição passa a ser um sinal de alerta quando a dificuldade se torna frequente e persistente, durante semanas ou até meses, principalmente quando começa a impactar a vida sexual e emocional do homem”, destaca Trivilato.

Pressão e medo de falhar

A sexóloga Larissa Pires, especializada em reprodução humana, explica que muitos homens conseguem ter ereções sozinhos, mas podem perdê-la durante o ato sexual com outra pessoa por causa da pressão emocional envolvida no momento.

“Quando o homem está sozinho, ele tende a se sentir menos pressionado, sem medo de julgamento ou expectativa de desempenho. Já na relação sexual com outra pessoa, podem surgir ansiedade, insegurança, preocupação em ‘dar conta’ ou medo de falhar. Tudo isso interfere diretamente na resposta sexual do corpo”, explica.

Além disso, o desejo sexual não depende apenas de estímulo físico. O cérebro tem um papel central e, quando a mente entra em estado de alerta ou cobrança, o corpo pode responder com dificuldade de manter a ereção.

Muitos homens entram em um estado quase imediato de preocupação e autocrítica. É comum surgirem pensamentos como: “E se eu não conseguir?”, “Ela vai achar que não sinto desejo?”, “Estou falhando?”.

O problema é que, quanto maior a tensão emocional naquele momento, mais difícil fica retomar a excitação. O cérebro sai do prazer e entra em modo de ansiedade e vigilância, o que pode intensificar ainda mais a perda da ereção. Em muitos casos, o sofrimento emocional acaba sendo maior do que o episódio em si.

Quando pode ser sinal de alerta

A condição pode ser também um dos primeiros sinais de doenças cardiovasculares e problemas circulatórios. Trivilato afirma que considera a disfunção erétil de origem vascular um fator de risco. “Muitos pacientes, especialmente os mais velhos, começam a apresentar dificuldade de ereção e acabam sendo encaminhados ao cardiologista”, afirma.

Isso acontece porque o pênis depende diretamente de um bom fluxo sanguíneo. As alterações vasculares costumam se manifestar primeiro nos vasos penianos, que são menores do que as artérias do coração. Por isso, a disfunção erétil pode preceder eventos cardiovasculares e indicar alterações na vascularização do organismo.

Alterações hormonais, como testosterona baixa, podem estar relacionadas ao problema também. Além da questão vascular, o déficit do hormônio masculino pode dificultar a ereção e provocar redução da libido, fadiga, perda de massa muscular e desânimo.

No entanto, nem toda a disfunção erétil tem origem hormonal. Por isso, a avaliação médica individualizada é fundamental para identificar a causa correta.

Pornografia e expectativas irreais

A pornografia, principalmente em excesso, pode fazer o homem criar expectativas irreais sobre o próprio desempenho sexual. Segundo Larissa, esse tema tem sido cada vez mais discutido, ainda mais quando o consumo é frequente e há comparação, de forma inconsciente, com aquilo que é visto nas telas.

“A pornografia costuma apresentar um sexo performático, sem vulnerabilidades, sem insegurança e com padrões irreais de tempo de ereção, desempenho e resposta sexual”, explica a sexóloga.

Na vida real, o sexo envolve emoção, conexão, cansaço, ansiedade, rotina e inúmeros fatores humanos. Quando o homem acredita que precisa corresponder a um padrão “perfeito”, isso pode gerar frustração, insegurança e aumento da pressão durante a relação.

O consumo excessivo de álcool, cigarro, algumas medicações e drogas, também têm forte impacto na saúde sexual masculina. O cigarro prejudica a circulação, o álcool e as drogas interferem no sistema nervoso e hormonal, enquanto os transtornos emocionais podem afetar tanto o desejo quanto o desempenho sexual.

Entre os hábitos que ajudam a preservar a saúde sexual masculina estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso, sono adequado, redução do consumo de álcool, abandono do cigarro, controle do diabetes, da hipertensão e do colesterol, além dos cuidados com a saúde mental.

Já os casos clínicos incluem exames laboratoriais completos, como glicemia, perfil lipídico e testosterona – além de exames cardiovasculares, quando necessário. Em algumas situações, também pode ser solicitado o ultrassom Doppler peniano, capaz de identificar alterações vasculares que dificultam a chegada de sangue ao pênis.

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