
Fábia OliveiraColunas

Gabi Brandt e Saulo: volta acende debate sobre dependência emocional
Especialistas explicam por que relações marcadas por términos e voltas sucessivas costumam provocar identificação, críticas e julgamentos
atualizado
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A nova reconciliação entre Gabi Brandt e Saulo Poncio voltou a dominar as redes sociais e abriu espaço para um debate que aparece cada vez mais na internet: afinal, quando insistir em um relacionamento deixa de ser amor e passa a ser dependência emocional?
O casal, que já enfrentou separações públicas, polêmicas e rumores de crises ao longo dos últimos anos, anunciou uma nova fase juntos. A reação do público, porém, ficou dividida. Enquanto parte dos seguidores comemorou a reconciliação, outra parcela passou a questionar se Gabi estaria presa emocionalmente à relação. Termos como “dependência emocional”, “relacionamento tóxico” e “não consegue seguir em frente” rapidamente tomaram conta dos comentários.
Especialistas, no entanto, alertam que é preciso cautela antes de transformar situações afetivas complexas em diagnósticos simplificados feitos pela internet. A psiquiatra Jessica Martani explica que dependência emocional não significa apenas voltar para alguém várias vezes.
“O problema começa quando a pessoa acredita que não consegue viver sem o parceiro, mesmo que a relação cause sofrimento. Existe um medo muito intenso de abandono, necessidade constante de validação e dificuldade de encerrar ciclos emocionais”, afirmou.
Segundo a especialista, alguns sinais costumam aparecer de forma recorrente em relações marcadas por dependência emocional. “A pessoa passa a priorizar completamente o relacionamento, perde autonomia emocional, aceita situações que machucam para evitar o término e sente ansiedade extrema diante da possibilidade de afastamento”, explicou.
Jessica também destaca que o parceiro nem sempre é o responsável direto pela situação. “Muitas vezes isso está ligado à história emocional da própria pessoa, inseguranças antigas, baixa autoestima e experiências afetivas anteriores. Relações instáveis podem intensificar esse comportamento, mas nem sempre existe culpa exclusiva do outro”, disse.
Ela afirma ainda que, em relações assim, o apoio do parceiro pode ajudar desde que exista incentivo à autonomia emocional. “O companheiro pode acolher, estimular diálogo saudável e incentivar a busca por terapia, mas não pode assumir a responsabilidade de resolver sozinho o sofrimento emocional do outro”, completou.
Para a psicóloga Anastácia Barbosa, o caso também revela como a sociedade costuma romantizar relações intensas ao mesmo tempo em que julga mulheres que escolhem permanecer nelas. “Existe uma linha muito tênue entre insistir por amor e permanecer por medo da perda. Muitas pessoas confundem sofrimento emocional com prova de amor verdadeiro”, afirmou.
A terapeuta Glaucia Santana, do Espaço Hi, explica que relações marcadas por términos e reconciliações sucessivas podem provocar uma espécie de desgaste emocional viciante. “Relacionamentos intermitentes viciam porque alternam dor e recompensa. O cérebro passa a perseguir migalhas emocionais como se fossem provas de amor”, disse,
Segundo ela, esse tipo de dinâmica costuma ativar mecanismos emocionais ligados ao medo da rejeição e da solidão. “Apego ansioso não é excesso de amor. É um sistema nervoso tentando encontrar segurança em alguém que, muitas vezes, só oferece instabilidade”, afirmou.
Glaucia também faz um alerta sobre o risco de anular a própria identidade dentro de uma relação. “Quando uma mulher se abandona para ser escolhida, ela não está vivendo amor. Ela está tentando sobreviver emocionalmente”, explicou.
Apesar das especulações nas redes sociais, especialistas reforçam que apenas quem vive a relação conhece a complexidade emocional envolvida nas decisões afetivas. O ponto de atenção, segundo eles, surge quando permanecer em um relacionamento passa a custar a própria saúde mental.
“Perder alguém não pode ser mais assustador do que perder a si mesma”, concluiu Glaucia.









