Gabi Brandt e Saulo Poncio: os desafios de voltar com ex após traições
Psicóloga analisa os mecanismos de dependência emocional e as dificuldades de reconstruir a confiança sob a vigilância do público
atualizado
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O anúncio de retomada de relacionamentos marcados por traições públicas, como o caso de Gabi Brandt e Saulo Poncio, levanta debates sobre a viabilidade de recomeços. Segundo a psicóloga e sexóloga Alessandra Araújo, reconstruir o que foi quebrado diante de uma plateia digital é um dos maiores desafios emocionais da atualidade, exigindo uma distinção clara entre perdão real e a simples normalização do desrespeito.
Entenda
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Reforço intermitente: o mecanismo de receber “migalhas de afeto” entre episódios de dor cria um ciclo de vício e esperança semelhante ao de apostadores.
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Vínculo traumático: em relações tóxicas, a vítima busca consolo justamente no agressor, criando uma dependência emocional complexa.
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Transparência radical: a reconstrução da confiança exige que o traidor assuma responsabilidade total e abra mão de privacidades para provar a mudança.
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Impacto da exposição: quando a traição é pública, a cura é mais lenta devido à humilhação social e aos gatilhos constantes gerados por algoritmos e redes sociais.
O peso da traição sob os holofotes
A exposição nas redes sociais multiplica o trauma da infidelidade. Além da dor íntima, a pessoa traída precisa lidar com o julgamento de estranhos, o que Alessandra Araújo classifica como uma “dignidade leiloada publicamente”. A vigilância constante torna cada publicação um gatilho, dificultando o processo de superação, já que a internet mantém as lembranças do ocorrido sempre acessíveis.
Para quem decide voltar, a psicóloga alerta para a diferença entre perdoar e normalizar. Enquanto o perdão é um processo interno para seguir em frente, a normalização ocorre quando a pessoa abaixa a régua de seus limites, aceitando a traição como “parte do pacote”. Se o erro se repete, não há perdão, mas sim a aceitação de um novo padrão de desrespeito.

Reconciliação madura ou ciclo de dependência?
Identificar se uma volta tem futuro exige observar se a mudança é baseada em fatos ou apenas em promessas. Uma reconciliação madura foca na mudança consistente de comportamento, onde o parceiro que errou não pressiona o outro para “esquecer logo” e aceita que o tempo de cura é necessário.
“Confiança é como um papel amassado: você pode tentar desamassar, mas as marcas sempre estarão lá”, pontua a especialista.

Por outro lado, o ciclo tóxico é marcado pelo love bombing — excesso de presentes e declarações dramáticas para pular a fase da dor. O sinal de alerta máximo surge com a chantagem emocional, quando quem traiu tenta inverter a culpa. No fim, a questão central para quem volta não é apenas se consegue perdoar o outro, mas se consegue conviver com a versão de si mesmo que aceita essa dinâmica novamente.
