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Terapia inusitada: meditar dentro de caixão vira “trend” entre jovens

A prática de meditar dentro de um caixão, conhecida como “coffin-laying”, ganha força como ferramenta de saúde mental

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Terapia inusitada: meditar dentro de caixão vira "trend" entre jovens
1 de 1 Terapia inusitada: meditar dentro de caixão vira "trend" entre jovens - Foto: Kajiya Honten/Instagram/Reprodução

O que começou como uma oferta inusitada de uma funerária na província de Chiba transformou-se em uma tendência de bem-estar consolidada no Japão. A prática do coffin-laying — ou meditar dentro de um caixão — convida os participantes a deitarem-se em urnas funerárias para contemplar a própria existência.

Em um país que enfrenta taxas recordes de suicídio entre jovens, a experiência busca oferecer um espaço seguro para aliviar o nervosismo e transformar a percepção sobre a finitude, utilizando a consciência da morte como um lembrete do valor da vida.

Entenda

  • O conceito: a prática baseia-se no kuyō (serviço memorial), tradição japonesa que abraça a fragilidade e a beleza da morte.
  • Saúde mental: empresas promovem a imersão como uma forma reversível de “ensaiar a morte” para aliviar pensamentos suicidas e ansiedade.
  • Personalização: espaços como o Meiso Kukan Kanoke-in, em Tóquio, oferecem de caixões “fofos” e decorados a sessões com música e vídeos.
  • Impacto real: workshops em universidades mostram que a experiência ajuda jovens a superar preocupações e fortalece o desejo de viver.
Terapia inusitada: meditar dentro de caixão vira "trend" entre jovens
A tendência cresceu tanto que já existem diferentes opções de caixões para atender a diferentes personalidades

A estética da morte como terapia

Diferente da visão ocidental, que muitas vezes evita o tema da mortalidade, o mercado japonês tem investido em tornar essa experiência mais acessível e menos aterrorizante. A empresa Grave Tokyo, liderada pela designer Mikako Fuse, especializou-se em criar caixões ricamente decorados e estilizados. O objetivo é proporcionar uma meditação onde o cliente possa encarar o fim de forma “alegre” e menos sombria.

No spa especializado Meiso Kukan Kanoke-in, localizado na capital japonesa, o cliente paga cerca de US$ 13 (aproximadamente R$ 65) por uma sessão de 30 minutos. Durante o período, é possível escolher entre manter o caixão aberto ou fechado, ouvir músicas tranquilizadoras, assistir a projeções no teto ou permanecer em silêncio absoluto e imobilidade total.

Terapia inusitada: meditar dentro de caixão vira "trend" entre jovens
A designer e fabricante de caixões personalizados da Grave Tokyo, Mikako Fuse, afirmou que sua abordagem criativa para artigos funerários ajuda as pessoas a perceberem que “a morte é algo positivo e não tão assustador”

“Morrer” para renascer

A iniciativa ganhou contornos educacionais em 2024, quando Fuse organizou workshops na Universidade de Kyoto. Ao convidar estudantes para entrarem nos caixões, a designer buscou desmistificar o medo do falecimento e incentivar o que ela chama de “desejo de viver”. Relatos colhidos pelo jornal Mainichi indicam que os alunos sentiram uma redução no medo e uma oportunidade rara de autorreflexão profunda.

Para os defensores da prática, o diferencial em relação a terapias convencionais ou medicamentos é o impacto visual e sensorial de “ensaiar” o fim. A ideia é que, ao vivenciar uma simulação da morte, o indivíduo consiga processar suas angústias e retornar à realidade com uma perspectiva renovada.

Terapia inusitada: meditar dentro de caixão vira "trend" entre jovens
A tendência de meditar no caixão começou como uma oferta peculiar de uma funerária na província de Chiba, no Japão, mas se transformou em uma moda consolidada

Uma alternativa contra o suicídio

Em um cenário onde a saúde mental é uma prioridade nacional, a meditação no caixão surge como uma ferramenta criativa de intervenção. Mikako Fuse afirma ter testemunhado diversos casos onde a experiência ajudou a aliviar ideações suicidas.

Terapia inusitada: meditar dentro de caixão vira "trend" entre jovens
Caixão aberto ou fechado? Os clientes de um spa têm opções de como querem passar suas sessões de 30 minutos dentro de um caixão

“Já vi muitas pessoas reduzirem seus pensamentos sobre a morte após participarem”, declarou Fuse em comunicado à imprensa. Para a designer, a missão é clara: oferecer às pessoas a chance de experimentar uma “morte reversível” antes que tomem uma decisão definitiva e irreversível.

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