Jovens de 20 a 29 anos são os que mais tentam suicídio no DF, diz Saúde

Das 848 tentativas de "autoextermínio" registradas pela pasta em 2020, 334 notificações eram de pessoas na faixa dos 20 anos

atualizado 04/09/2020 22:19

Arte/Metrópoles

O próximo dia 10 de setembro é lembrado como Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. Devido à data, o mês é dedicado à mobilização global pelo combate a esse tipo de ocorrência, no chamado Setembro Amarelo. No Brasil, o compromisso foi efetivado há cerca de seis anos, por meio da Portaria MS nº 1271/2014, que tornou a notificação de tentativa de suicídio obrigatória no sistema de saúde nacional. Assim, hospitais públicos e particulares de todo o país passaram a ter que informar ao Ministério da Saúde os atendimentos motivados pela chamada “tentativa de autoextermínio”.

De acordo com a atualização mais recente dos Informes Epidemiológicos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, de janeiro a junho deste ano, as unidades de saúde locais registram 848 tentativas de suicídio.

Ao todo, 590 mulheres e 258 homens residentes na capital ou atendidos em hospitais brasilienses tentaram contra a própria vida no período. A predominância dos casos é na faixa etária entre 20 e 29 anos – elas totalizaram 334 notificações.

Confira os números:

Pior na pandemia

Já o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do DF (Samu-DF) realizou 654 atendimentos de tentativas de autoextermínio e 166 de ideação suicida – quando a pessoa pensa sobre tentar contra a própria vida. Os dados são do Núcleo de Saúde Mental (Nusam) do Samu, setor responsável por atender demandas relacionadas a transtornos psicológicos.

“Sempre houve esses casos, mas vimos que, durante a pandemia [de Covid-19], o isolamento e o distanciamento sociais têm elevado mais a sensação de tristeza em pessoas já propensas a transtornos mentais. Vimos que as ligações com demandas relacionadas a ansiedade, tentativas de suicídio e ideação suicida aumentaram muito. Por isso, o Nusam é tão importante em momentos assim”, afirmou o diretor do Samu-DF, Alexandre Garcia.

O Núcleo atua tanto de forma presencial, atendendo em ambulância, como a distância, por telefone, na Central de Regulação Médica 192.

Em alerta

Fábio Aurélio Leite, médico psiquiatra do Hospital Santa Lúcia Norte, aponta o contexto pandêmico vivido nos últimos meses como um fator que demanda maior atenção.

“Qualquer situação crítica que aconteça na vida de indivíduos que sejam pré-dispostos a um quadro psicótico, coloca esses pacientes em risco. Divórcio, reprovação, demissão podem fazer eclodir [uma crise]. A pandemia é uma situação na qual as pessoas ficam com medo de morrer, perderem emprego… É  uma situação que pode levar o indivíduo ao estado de limite emocional”, aponta.

“A depressão é a principal causa da tentativa de autoextermínio. A primeira coisa é ficar de olho em pacientes que tenham histórico depressivo, que façam tratamento ou o tenham interrompido, pacientes que estejam com sintomas e não tenham a percepção que estão com o humor alterado. Ter um olhar cuidadoso”, aconselha o especialista.

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Busque ajuda

O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos de suicídio ou tentativas que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social. Isso porque é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.

Depressão, esquizofrenia e o uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode te ajudar. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.

 

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Disque 188

A cada mês, em média, mil pessoas procuram ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV). São 33 casos por dia, ou mais de um por hora. Se não for tratada, a depressão pode levar a atitudes extremas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dia, 32 pessoas cometem suicídio no Brasil. Hoje, o CVV é um dos poucos serviços em Brasília em que se pode encontrar ajuda de graça. Cerca de 50 voluntários atendem 24 horas por dia a quem precisa.

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