
Superação: ex-usuário de drogas revela como virou guarda da rainha
Paul Boggie conta como largou o vício em heroína e se tornou um dos responsáveis pela segurança da rainha da Inglaterra

Aos 42 anos, o britânico Paul Boggie conta em seu livro Heroin to hero (Da Heroína ao Herói, em português) como largou o vício em heroína e se tornou um dos responsáveis pela segurança de Elizabeth II, rainha da Inglaterra. “Desisti de viver”, escreveu uma das páginas do exemplar, que tem feito sucesso nas redes sociais.

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Ver todasA história de Boggie começa quando ele tinha 18 anos e resolveu experimentar heroína pela primeira vez. “Estavam todos amontoados em um pequeno Fiesta [modelo de carro da marca Ford] e eu só vi o lampejo da folha de alumínio, mas não sabia o que era”, conta.
“Não havia agulhas, colheres ou cintos. Quando entrei no carro, o cheiro era horrível, como peixe podre. É assim que cheira a fumaça de heroína”, relembra.

“Não pensei que fosse viciado, não levei isso a sério”, contou ele, relembrando que a droga ainda não havia afetado seu corpo e que ele não tinha o “estereótipo de viciado”. A fica caiu quando ele ficou oito horas sem conseguir comprar a droga e se desesperou.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & Estilo“Fiquei apavorado. Lembro-me de quando finalmente peguei o medicamento, me senti incrível. Todas as dores físicas, os calafrios, o nariz e os olhos vermelhos desapareceram”, relata. “Mas, então, pensei: ‘Ah, não, acho que acabei de assinar minha sentença de morte’. Foi assim que percebi que corria perigo porque adorava heroína. Naquele momento, caiu a ficha de que eu era um viciado”, conta.
Com o passar do tempo, Paul emagreceu drasticamente e perdeu o emprego. Em 13 tentativas falhas de parar com o vício, ele encontrou forças em um curso na ONG Cyrenians, voltada para pessoas em situação de rua.
Um dia, ele olhou para si mesmo no espelho de seu quarto e se questionou: “‘O que é o que você quer? Não volte a pedir heroína de novo, porque você não vai tê-la’, e foi isso”, relembra. Ele nunca mais voltou a usar drogas.
Após ganhar peso, ele ingressou na Scots Guards aos 30 anos e, após seis meses, foi designado para trabalhar no Palácio de Buckingham.

“Quando entrei para a Guarda Escocesa, fiquei muito orgulhoso do que havia conquistado. Lembro-me de ter pensado: ‘Uau, alguns anos atrás eu era viciado em heroína e agora estou fazendo a segurança do palácio”.
Durante a pandemia ele escreveu o livro – que tem os lucros revertidos para pessoas em situação de rua – e, atualmente, dá palestras em escolas para falar do risco do uso de drogas. Além disso, conversa de forma gratuita com detentos, a fim de estimulá-los a largar o vício.



