República da terceira idade: mulheres 60+ se unem para dividir casa
Inspiradas na série Super Gatas, iniciativas reúnem mulheres que decidiram compartilhar casas e rotinas
atualizado
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Aos 70 anos, a canadense Pat Dunn enfrentou uma situação que se tornou cada vez mais comum entre idosos: viver sozinho havia se tornado financeiramente inviável. Após a morte repentina do marido, a aposentadoria como enfermeira já não era suficiente para acompanhar o aumento do custo de moradia na província de Ontário, no Canadá.
Sem conseguir arcar com um aluguel sozinha, Dunn começou a considerar uma alternativa pouco convencional: dividir casa com outras mulheres na mesma fase da vida. “Não tinha como manter uma casa sozinha. Foi quando pensei em procurar alguém para compartilhar”, contou ela em entrevista ao programa The Conversation, da BBC.
A ideia foi inspirada na popular série de TV The Golden Girls, conhecida no Brasil como Super Gatas, que retrata a convivência entre quatro mulheres mais velhas que decidem morar juntas. Motivada pelo exemplo da ficção, Dunn criou um grupo no Facebook para encontrar outras mulheres interessadas em dividir moradia.

O que começou como uma tentativa pessoal de resolver um problema financeiro acabou ganhando grandes proporções. Em apenas um mês, o grupo já reunia cerca de 200 integrantes. Com o passar do tempo, a iniciativa evoluiu para uma organização sem fins lucrativos chamada Senior Women Living Together, que atualmente tem mais de dois mil membros no Canadá.
Histórias compartilhadas
Uma das pessoas que também apostou nesse modelo é a finlandesa Hanne Nuutinen, que se mudou para a França e ajudou a fundar a iniciativa La Joie Home Base. O projeto reúne mulheres de diferentes nacionalidades em espaços de convivência comunitária, onde é possível viver por períodos curtos ou mais longos.
Segundo Nuutinen, a proposta vai além da divisão de despesas. “Chamamos de moradia conectada. A ideia é criar uma comunidade em que as pessoas compartilhem não apenas a casa, mas também experiências e apoio no cotidiano”, explica.
Hoje, Pat vive com duas mulheres que conheceu justamente por meio do grupo online. A convivência, segundo ela, exige diálogo e sinceridade entre as moradoras. “É importante falar abertamente sobre o que incomoda, porque ninguém quer se sentir desconfortável dentro da própria casa”, afirma.
Apesar de muitas histórias positivas, Pat diz que também se depara com relatos difíceis entre as participantes do grupo. Algumas mulheres enfrentam sérios problemas financeiros ou situações de moradia precária.
“Às vezes ouvimos histórias muito tristes, de pessoas que chegaram a morar dentro de carros e nem contam aos filhos por vergonha”, relata. Para ela, esses casos reforçam ainda mais a importância de iniciativas que ofereçam alternativas de moradia e apoio para mulheres na terceira idade.
