PMMA no rosto: como identificar sinais de aplicação indevida

Caso da repórter Ju Massaoka acende alerta sobre o uso de substâncias permanentes e riscos de complicações tardias no rosto

atualizado

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PMMA no rosto: saiba como identificar material após rinoplastia
1 de 1 PMMA no rosto: saiba como identificar material após rinoplastia - Foto: Instagram/Reprodução

O relato da jornalista Ju Massaoka acendeu um alerta para quem passou por rinoplastia ou procedimentos estéticos faciais anos atrás e não sabe quais materiais foram usados. A profissional revelou em suas redes sociais que descobriu a presença de PMMA (polimetilmetacrilato) no nariz sem o seu consentimento, o que a levou a quase perder a estrutura nasal e a buscar a cura.

Diante desse cenário, cirurgiã plástica e otorrinolaringologista explicam ao Metrópoles as ferramentas diagnósticas disponíveis, os direitos do paciente ao histórico médico e os critérios para avaliar quando a retirada cirúrgica é segura.

Assista ao relato:

Entenda

  • Riscos do PMMA: o material permanente é composto por microesferas sintéticas e é contraindicado para uso estético facial, especialmente no nariz, por sua vascularização complexa.

  • Rastreamento e direitos: todo paciente tem o direito de exigir o prontuário e etiquetas de rastreabilidade contendo lote, fabricante e composição do produto aplicado.

  • Exames de imagem: quando o histórico médico não está disponível, exames como ultrassom, ressonância e tomografia auxiliam no mapeamento de substâncias infiltradas.

  • Limites da remoção: como o PMMA se integra profundamente aos músculos e tecidos, a retirada total nem sempre é segura e pode gerar risco de necrose ou sequelas graves.

O PMMA possui uma indicação médica bastante restrita na medicina reparadora. De acordo com o médico Edvaldo Reis, otorrinolaringologista referência em rinoplastia e cirurgia facial avançada, a aplicação desse produto na região nasal gera riscos severos como inflamações crônicas, infecções tardias, formação de granulomas, endurecimento, deformidades progressivas, obstrução e até necrose da pele.

As complicações têm uma característica desafiadora: podem surgir de forma silenciosa muitos anos após a aplicação, muitas vezes desencadeadas por gatilhos como traumas, quedas de imunidade, infecções ou novos procedimentos na região.

PMMA Cosmetologista com luvas médicas azuis está colocando remédio em uma seringa para uma injeção de preenchimento de PMMA. Ao fundo está uma mulher realizando o procedimento
Uso de PMMA era permitido apenas para correção de deformações, mas era muitas vezes aplicado em pacientes sem que elas soubessem

Sinais de alerta e diagnóstico

Para quem realizou procedimentos antigos e desconfia da presença de materiais permanentes, a cirurgiã plástica especialista em cirurgia facial, Carine Barreto Gonzaga, aponta que os principais sinais inflamatórios de alerta na face e no nariz incluem:

  • Endurecimento e dor local.
  • Vermelhidão recorrente e sensação de calor.
  • Inchaço sem causa aparente e nódulos.
  • Assimetrias progressivas e alterações na textura da pele.
  • Dificuldade respiratória ou áreas de sofrimento cutâneo.

Ao notar tais mudanças, o primeiro passo é buscar avaliação médica especializada. Caso o paciente não possua acesso ao prontuário antigo — situação comum quando clínicas fecham —, a investigação passa a depender de exames de imagem como a ultrassonografia de alta frequência, a ressonância magnética e a tomografia computadorizada.

Os especialistas advertem, porém, que os exames têm limitações e nem sempre determinam a substância exata com absoluta precisão. A suspeita é traçada pelo comportamento radiológico e pelo histórico, sendo a confirmação definitiva dependente da correlação clínica ou até da análise cirúrgica.

Imagem colorida de nariz em fundo preto com cicatrizes e pontos - Metrópoles
Inflamações persistentes, endurecimento, deformidades e dificuldades respiratórias estão entre os principais sinais de alerta associados ao uso indevido do PMMA em procedimentos estéticos no nariz

Direitos do paciente e acesso a documentos

Os médicos reforçam que o paciente tem o direito de saber detalhadamente o que foi utilizado em seu rosto, incluindo nome comercial do produto, composição, lote, fabricante, quantidade aplicada, local e a assinatura do profissional. Essas informações devem constar no prontuário e no termo de consentimento.

Caso o estabelecimento antigo tenha encerrado as atividades, o material físico ou digital costuma permanecer sob a responsabilidade legal do médico, de seus sucessores ou da instituição que absorveu o acervo, podendo ser solicitado formalmente por escrito.

procedimento estético; Close up de mulher recebendo injeção de botox nos lábios. Metrópoles
O PMMA é um prenchedor que se adere aos tecidos e tem uma difícil remoção

Os desafios da cirurgia de remoção

A decisão entre realizar a retirada ou manter uma conduta conservadora deve ser rigorosamente individualizada. “Em muitos casos, o material permanente não está encapsulado; ele se infiltra entre músculos, vasos e tecidos nobres da face”, explica a cirurgiã Carine Barreto Gonzaga.

Se o paciente estiver estável, sem inflamação ativa ou deformidades importantes, não mexer pode ser a opção mais segura. De acordo com os especialistas, a cirurgia de remoção é indicada em cenários de infecção, dor recorrente, sofrimento da pele ou comprometimento estético e funcional progressivo.

Como o PMMA se integra profundamente às cartilagens e estruturas profundas do nariz, tentar retirar 100% do produto pode comprometer a integridade dos tecidos. Edvaldo Reis destaca que o procedimento de retirada pode gerar cicatrizes, retrações e a necessidade de reconstruções delicadas.

Quando a remoção completa é contraindicada por oferecer riscos de necrose e lesões nervosas superiores aos benefícios, o foco médico muda para o controle da inflamação crônica. O tratamento passa a ser conduzido com o uso de antibióticos em fases específicas, corticoides, imunomoduladores, terapias regenerativas e o uso de tecnologias como laser e ultrassom microfocado para preservar a função e a estética da face a longo prazo.

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