PMMA no rosto: como identificar sinais de aplicação indevida
Caso da repórter Ju Massaoka acende alerta sobre o uso de substâncias permanentes e riscos de complicações tardias no rosto
atualizado
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O relato da jornalista Ju Massaoka acendeu um alerta para quem passou por rinoplastia ou procedimentos estéticos faciais anos atrás e não sabe quais materiais foram usados. A profissional revelou em suas redes sociais que descobriu a presença de PMMA (polimetilmetacrilato) no nariz sem o seu consentimento, o que a levou a quase perder a estrutura nasal e a buscar a cura.
Diante desse cenário, cirurgiã plástica e otorrinolaringologista explicam ao Metrópoles as ferramentas diagnósticas disponíveis, os direitos do paciente ao histórico médico e os critérios para avaliar quando a retirada cirúrgica é segura.
Assista ao relato:
Entenda
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Riscos do PMMA: o material permanente é composto por microesferas sintéticas e é contraindicado para uso estético facial, especialmente no nariz, por sua vascularização complexa.
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Rastreamento e direitos: todo paciente tem o direito de exigir o prontuário e etiquetas de rastreabilidade contendo lote, fabricante e composição do produto aplicado.
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Exames de imagem: quando o histórico médico não está disponível, exames como ultrassom, ressonância e tomografia auxiliam no mapeamento de substâncias infiltradas.
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Limites da remoção: como o PMMA se integra profundamente aos músculos e tecidos, a retirada total nem sempre é segura e pode gerar risco de necrose ou sequelas graves.
O PMMA possui uma indicação médica bastante restrita na medicina reparadora. De acordo com o médico Edvaldo Reis, otorrinolaringologista referência em rinoplastia e cirurgia facial avançada, a aplicação desse produto na região nasal gera riscos severos como inflamações crônicas, infecções tardias, formação de granulomas, endurecimento, deformidades progressivas, obstrução e até necrose da pele.
As complicações têm uma característica desafiadora: podem surgir de forma silenciosa muitos anos após a aplicação, muitas vezes desencadeadas por gatilhos como traumas, quedas de imunidade, infecções ou novos procedimentos na região.

Sinais de alerta e diagnóstico
Para quem realizou procedimentos antigos e desconfia da presença de materiais permanentes, a cirurgiã plástica especialista em cirurgia facial, Carine Barreto Gonzaga, aponta que os principais sinais inflamatórios de alerta na face e no nariz incluem:
- Endurecimento e dor local.
- Vermelhidão recorrente e sensação de calor.
- Inchaço sem causa aparente e nódulos.
- Assimetrias progressivas e alterações na textura da pele.
- Dificuldade respiratória ou áreas de sofrimento cutâneo.
Ao notar tais mudanças, o primeiro passo é buscar avaliação médica especializada. Caso o paciente não possua acesso ao prontuário antigo — situação comum quando clínicas fecham —, a investigação passa a depender de exames de imagem como a ultrassonografia de alta frequência, a ressonância magnética e a tomografia computadorizada.
Os especialistas advertem, porém, que os exames têm limitações e nem sempre determinam a substância exata com absoluta precisão. A suspeita é traçada pelo comportamento radiológico e pelo histórico, sendo a confirmação definitiva dependente da correlação clínica ou até da análise cirúrgica.

Direitos do paciente e acesso a documentos
Os médicos reforçam que o paciente tem o direito de saber detalhadamente o que foi utilizado em seu rosto, incluindo nome comercial do produto, composição, lote, fabricante, quantidade aplicada, local e a assinatura do profissional. Essas informações devem constar no prontuário e no termo de consentimento.
Caso o estabelecimento antigo tenha encerrado as atividades, o material físico ou digital costuma permanecer sob a responsabilidade legal do médico, de seus sucessores ou da instituição que absorveu o acervo, podendo ser solicitado formalmente por escrito.

Os desafios da cirurgia de remoção
A decisão entre realizar a retirada ou manter uma conduta conservadora deve ser rigorosamente individualizada. “Em muitos casos, o material permanente não está encapsulado; ele se infiltra entre músculos, vasos e tecidos nobres da face”, explica a cirurgiã Carine Barreto Gonzaga.
Se o paciente estiver estável, sem inflamação ativa ou deformidades importantes, não mexer pode ser a opção mais segura. De acordo com os especialistas, a cirurgia de remoção é indicada em cenários de infecção, dor recorrente, sofrimento da pele ou comprometimento estético e funcional progressivo.
Como o PMMA se integra profundamente às cartilagens e estruturas profundas do nariz, tentar retirar 100% do produto pode comprometer a integridade dos tecidos. Edvaldo Reis destaca que o procedimento de retirada pode gerar cicatrizes, retrações e a necessidade de reconstruções delicadas.
Quando a remoção completa é contraindicada por oferecer riscos de necrose e lesões nervosas superiores aos benefícios, o foco médico muda para o controle da inflamação crônica. O tratamento passa a ser conduzido com o uso de antibióticos em fases específicas, corticoides, imunomoduladores, terapias regenerativas e o uso de tecnologias como laser e ultrassom microfocado para preservar a função e a estética da face a longo prazo.