Maquiadora morreu após preenchimento nos glúteos com PMMA, diz B.O.
Roseli Fernandes, de 48 anos, passou por procedimento estético em uma clínica no Brooklin, São Paulo, na segunda-feira (25/5)
atualizado
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A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, que morreu após passar por um procedimento estético no Brooklin, na zona sul de São Paulo, fez preenchimento nos glúteos com polimetilmetacrilato (PMMA). O preenchedor não é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fins estéticos.
De acordo com o boletim de ocorrência (B.O.), Roseli, de 48 anos, viajou do Mato Grosso do Sul a São Paulo para passar pelo procedimento na última segunda-feira (25/5). Em depoimento, a filha da vítima afirmou que a mãe deixou o consultório médico aparentemente bem, reclamando apenas de dor na região.
A aplicação foi feita pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge. A profissional tem pós-graduação em dermatologia, mas não fez residência na área. Ela mora em Goiânia, mas realiza atendimentos em São Paulo há cerca de três anos.
À polícia, a médica disse ter aplicado 120 ml da substância em cada um dos glúteos da mulher, mais 30 ml na parte posterior das coxas. Segundo Tábita, Roseli já havia passado pelo mesmo procedimento, com outro médico, há dois anos. Ela não informou se o preenchimento anterior foi feito com PMMA.
O que diz a Anvisa
O polimetilmetacrilato é um polímero plástico sintético derivado do petróleo. Como preenchedor, ele é usado em forma de gel, em que microesferas ficam suspensas em solução de colágeno bovino, carboximetilcelulose ou hidroxietilcelulose.
O uso do PMMA é autorizado pela Anvisa apenas para tratamento reparador, em casos de:
- Correção volumétrica facial e corporal, para tratar alterações de volume provocadas por sequelas de doenças como a poliomielite.
- Correção de lipodistrofia, situação em que há concentração anormal de gordura em algumas partes do corpo, provocada pelo uso de medicamentos antirretrovirais em pacientes com HIV/Aids.
A agência reguladora determina que a aplicação deve ser feita por um médico ou odontólogo habilitado. O profissional é o responsável por determinar a quantidade necessária para cada paciente, conforme a Anvisa.
Em janeiro do ano passado, o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) enviou à Anvisa uma recomendação para proibir o uso do polimetilmetacrilato como substância preenchedora. No texto, a autarquia reforça que o uso da substância “pode causar edemas locais, processos inflamatórios, telangiectasias, cicatrizes hipertróficas, reações alérgicas e formação de granuloma. Estas reações podem ser imediatas, mediatas ou tardias”.
Também no documento, o CFBM disse reconhecer a importância do uso do PMMA para o tratamento da lipodistrofia relacionada ao HIV/Aids, mas que hoje existem outras substâncias mais modernas e com melhor perfil de segurança.
Paciente morreu menos de 24 horas após o preenchimento
Na manhã desta terça (26/5), menos de 24 horas após o procedimento estético, Roseli Fernandes começou a reclamar de mal estar. A filha relatou que a maquiadora dizia sentir o peito chiando e o coração acelerado. Roseli chegou até mesmo a comentar que iria morrer, ainda de acordo com o boletim de ocorrência.
As duas telefonaram para Tábita Nunes, que recomendou que a paciente voltasse à clínica para uma nova avaliação. No caminho para o consultório, a mulher perdeu a consciência dentro de um carro de aplicativo. Ao chegar ao edifício, ela já estava desacordada e sofreu uma parada cardiorrespiratória no hall de entrada.
A médica e uma recepcionista tentaram prestar os primeiros socorros à vítima até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar das tentativas de reanimação, Roseli não resistiu, e o óbito foi constatado ainda no local.
O Metrópoles tentou contato com Tábita Nunes, mas não obteve resposta até o momento de publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto em caso de eventuais manifestações.