O frio “engorda”? Entenda por que comemos mais no inverno
Temperaturas baixas podem aumentar o apetite e a vontade de comer massas e doces. Entenda o que acontece com o corpo no frio
atualizado
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O inverno ainda nem começou oficialmente, mas basta a temperatura cair para muita gente perceber a mudança no corpo quase imediatamente: a fome aumenta, a vontade de comer pratos quentes aparece e resistir a massas, chocolates e receitas mais encorpadas parece ficar muito mais difícil. Essa sensação não é exagero e tampouco falta de disciplina alimentar. O frio realmente provoca alterações no organismo que podem intensificar o apetite e aumentar o desejo por alimentos mais calóricos.
De acordo com pesquisas recentes sobre funcionamento cerebral e metabolismo, ambientes frios ativam mecanismos internos ligados à sobrevivência e à manutenção da temperatura corporal. Na prática, o organismo entende que precisa produzir mais energia para manter o corpo aquecido — e isso interfere diretamente na fome.
Por que sentimos mais fome quando a temperatura cai?
Nos dias frios, o corpo entra em um processo natural de preservação térmica. Para manter a temperatura interna estável, o organismo aumenta o gasto energético, ainda que de forma moderada.
Segundo o médico Edson Ramuth, fundador e CEO da Emagrecentro, esse esforço extra ajuda a explicar por que a vontade de comer costuma aumentar nessa época do ano.
“O organismo trabalha constantemente para manter o equilíbrio térmico. Quando a temperatura cai, existe uma demanda maior de energia para produzir calor e preservar as funções vitais”, explica o especialista.
Esse mecanismo é chamado de termogênese, um processo metabólico que faz o corpo utilizar mais energia para gerar calor.
Além disso, pesquisadores identificaram que determinadas áreas cerebrais relacionadas ao controle do apetite ficam mais ativas em ambientes frios, estimulando a busca por comida.
A vontade de comer massas e doces também tem explicação
Não é coincidência que, no frio, pratos mais pesados pareçam mais atraentes. Sopas cremosas, massas, chocolates e bebidas quentes costumam gerar sensação imediata de conforto e satisfação.
Segundo Ramuth, alimentos ricos em gordura e carboidratos ativam regiões cerebrais ligadas ao prazer e ao bem-estar emocional, criando uma percepção temporária de acolhimento.
Outro fator importante é a diminuição da exposição solar durante os meses mais frios. Isso pode interferir na produção de serotonina, neurotransmissor associado ao humor e ao controle do apetite.
Com níveis menores de serotonina, o cérebro pode aumentar o desejo por alimentos energéticos, especialmente doces.
Frio também muda a rotina e influencia o apetite
As mudanças não acontecem apenas dentro do organismo. O comportamento diário também costuma mudar bastante durante períodos frios.
É comum reduzir a prática de atividade física, passar mais tempo em ambientes fechados e buscar refeições mais elaboradas e quentes. Esse conjunto de hábitos contribui para o aumento da ingestão calórica ao longo do dia.
Outro detalhe importante é que o frio pode diminuir a percepção de sede. Com isso, algumas pessoas acabam confundindo sinais de desidratação com fome e comem mais sem necessidade fisiológica real.
Como controlar a fome no inverno sem passar vontade
Sentir mais fome no frio é algo esperado, mas isso não significa que seja necessário exagerar na alimentação.
O médico recomenda priorizar refeições equilibradas, com boa presença de proteínas, fibras e ingredientes que aumentem a saciedade. Sopas nutritivas, legumes, grãos, ovos, carnes magras e alimentos integrais podem ajudar a manter o organismo satisfeito por mais tempo.
Manter alguma rotina de exercícios físicos também faz diferença importante no controle do apetite e no equilíbrio metabólico.
“Os melhores resultados acontecem com constância. Criar hábitos saudáveis durante os meses frios ajuda o corpo a chegar ao verão com mais disposição e qualidade de vida”, reforça Edson Ramuth.
O frio realmente faz o corpo gastar mais energia?
Sim, mas especialistas alertam que esse aumento costuma ser discreto na maior parte das pessoas.
Apesar de o organismo trabalhar mais para produzir calor, isso não significa que qualquer excesso alimentar será compensado automaticamente pelo metabolismo.
Por isso, o segredo está no equilíbrio: entender os sinais do corpo, adaptar a alimentação ao clima e evitar transformar o frio em justificativa para exageros frequentes.










