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Fitsexuais: tendência mistura corpo fitness e sexualidade; entenda
“Fitsexuais” buscam em corpos esculpidos novos padrões de atração, transformando o “shape” em requisito para o prazer
atualizado
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O ambiente das academias deixou de ser apenas um local de treinamento para se tornar o epicentro de uma nova dinâmica afetiva: o fenômeno dos “fitsexuais”. O termo define indivíduos cujo desejo sexual é despertado prioritariamente pela estética da alta performance e por corpos que ostentam músculos definidos. Segundo a sexóloga Alessandra Araújo, essa tendência reflete a “comodificação da saúde”, em que o físico esculpido funciona como um símbolo de status, disciplina e poder, condicionado por algoritmos de redes sociais que associam beleza extrema ao sucesso sexual.
Entenda
A análise do comportamento fitsexual revela nuances que vão da admiração pela disciplina à objetificação do parceiro:
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A academia como vitrine: o espaço de treino tornou-se a nova “balada”, pois é onde o corpo está mais exposto e em esforço. Essa dinâmica pode simplificar a atração em um modelo binário de “curtir ou descartar”, por vezes esvaziando a conexão emocional.
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O limite da saúde mental: a preferência estética torna-se um alerta quando o “shape” vira um pré-requisito inflexível. Isso pode sinalizar dismorfia corporal, especialmente quando a autoestima e o desejo dependem exclusivamente de um abdômen definido.
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Disciplina vs. objetificação: a diferença reside em admirar a resiliência por trás do músculo ou focar apenas na funcionalidade estética. Quando o afeto diminui se o parceiro ganha peso ou relaxa na dieta, há um consumo de imagem e não um relacionamento real.
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O paradoxo da performance: enquanto o exercício melhora a libido e a circulação, o excesso de treino e dietas restritivas causam fadiga. Pior ainda, o uso de anabolizantes pode gerar disfunção erétil, criando o corpo que atrai, mas sem a “química” para o ato.
O custo da “foto perfeita”
A busca pelo chamado couple goals (casal objetivo) nas redes sociais tem transformado parceiros em objetos de decoração. Alessandra Araújo observa que essa necessidade de validação constante gera uma ansiedade onde o medo de “perder o shape” acaba superando o prazer de estar com o outro. O foco excessivo na imagem transforma a dinâmica afetiva em algo superficial, focado no impacto visual e na aprovação de terceiros.
A libido entre dois abdominais
Apesar dos benefícios fisiológicos da atividade física, como o aumento da testosterona e da autoconfiança, a cultura fit radical apresenta um “lado B” perigoso. O consultório revela que o equilíbrio é frequentemente ignorado em prol de resultados estéticos imediatos.
A sexóloga reforça que, embora o cuidado com o corpo seja uma forma válida de amor-próprio, transformar o músculo no único pilar de uma relação é uma receita para a frustração. Afinal, o prazer real depende da conexão entre duas pessoas, e não apenas do encontro entre dois corpos esculpidos.


















