Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Vida & Estilo

O bebê que sofre com cólicas: a solução pode estar no prato da mãe

Juliana Andrade, nutricionista do Metrópoles, explica como alguns alimentos consumidos pela mãe podem interferir nas cólicas dos bebês

20/07/2026 11:38
Freepik/Reprodução
O bebê que sofre com cólicas: a solução pode estar no prato da mãe

Noites sem dormir, choro que não cessa, bebê com barriga dura e perninhas encolhidas. A cólica é um dos maiores desafios dos primeiros meses de vida, tanto para o bebê quanto para a mãe que já está exausta. E uma das primeiras perguntas que surgem nesse momento é: será que o que estou comendo está piorando isso?

Receba no seu email as notícias de Fitness&Nutrição

Frequência de envio: Duas vezes na semana

Ver todas as newsletters

A resposta é: pode ser. Não necessariamente, porque a cólica tem múltiplas causas, muitas delas ligadas à imaturidade do sistema digestivo do próprio bebê. Mas o que a mãe come durante a amamentação passa para o leite materno, e alguns compostos presentes em certos alimentos chegam até o intestino do bebê e podem causar desconforto, gases e agitação.

Os alimentos que mais aparecem na lista de suspeitos

Laticínios são os primeiros a entrar na mira. A proteína do leite de vaca, presente no leite, queijo, manteiga, iogurte e sorvete, é um dos alérgenos mais comuns em bebês amamentados. Quando a mãe consome esses produtos, fragmentos dessa proteína podem passar para o leite materno e provocar desconforto digestivo no bebê que tem sensibilidade a ela. Se houver suspeita, a orientação costuma ser retirar todos os laticínios da dieta materna por duas a quatro semanas e observar se há melhora.

Vegetais crucíferos também chamam atenção. Brócolis, couve-flor, repolho e couve de Bruxelas são alimentos nutritivos para a mãe, mas contêm carboidratos fermentáveis que produzem gás durante a digestão. Esse efeito pode refletir no bebê, deixando a barriguinha mais estufada e o choro mais intenso. Vale observar se há piora nas horas seguintes ao consumo desses alimentos.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & Estilo

Cafeína merece mais cuidado do que muitas mães percebem. Café, chá preto, refrigerante, chimarrão e chocolate contêm cafeína, e essa substância passa para o leite materno com relativa facilidade. O bebê tem muito mais dificuldade de metabolizá-la do que um adulto, e o resultado pode ser agitação, dificuldade para dormir e maior sensibilidade ao desconforto. Não é preciso cortar tudo, mas limitar o consumo a uma xícara de café por dia costuma fazer diferença.

Frutas cítricas como laranja, limão, abacaxi e kiwi têm alta acidez, que pode irritar o sistema digestivo ainda imaturo do bebê, causando azia e desconforto. Não precisam ser eliminadas, mas convém observar a reação do bebê nas horas seguintes ao consumo.

O bebê que sofre com cólicas: a solução pode estar no prato da mãe - destaque galeria
6 imagens
A amamentação é natural, mas algumas mães podem precisar de auxílio e orientação
Ao amamentar por um ano, a mulher passa cerca de 1.800 horas na função
O leite materno tem sabor umami
O leite é produzido a partir do sangue da mãe
O leite materno é personalizado para cada bebê
O leite materno é chamado de ouro líquido ou alimento de ouro
1 de 6

O leite materno é chamado de ouro líquido ou alimento de ouro

Getty Images
A amamentação é natural, mas algumas mães podem precisar de auxílio e orientação
2 de 6

A amamentação é natural, mas algumas mães podem precisar de auxílio e orientação

Getty Images
Ao amamentar por um ano, a mulher passa cerca de 1.800 horas na função
3 de 6

Ao amamentar por um ano, a mulher passa cerca de 1.800 horas na função

Getty Images
O leite materno tem sabor umami
4 de 6

O leite materno tem sabor umami

Getty Images
O leite é produzido a partir do sangue da mãe
5 de 6

O leite é produzido a partir do sangue da mãe

Getty Images
O leite materno é personalizado para cada bebê
6 de 6

O leite materno é personalizado para cada bebê

Getty Images

Leguminosas como feijão, ervilha e grão-de-bico são alimentos saudáveis, mas produzem gases durante a digestão. Da mesma forma que acontece com os crucíferos, esse efeito pode chegar ao bebê pelo leite materno.

Alimentos muito condimentados, com pimenta e temperos fortes, podem alterar o sabor e a composição do leite, incomodando alguns bebês mais sensíveis.

Álcool deve ser evitado. Passa rapidamente para o leite materno e o bebê não tem a capacidade de processá-lo. Para quem quiser consumir eventualmente, a recomendação é esperar pelo menos duas a três horas após a ingestão antes de amamentar.

Como descobrir o que está causando problema

Não existe uma lista universal que vale para todos os bebês. Cada organismo responde de forma diferente e o que afeta um bebê pode não afetar outro. A estratégia mais indicada é o diário alimentar: a mãe anota o que comeu e observa o comportamento do bebê nas duas a quatro horas seguintes. Com o tempo, padrões aparecem.

Se houver suspeita de um alimento específico, a abordagem é eliminá-lo por duas semanas e verificar se o quadro melhora. Se melhorar, reintroduz-se o alimento para confirmar a relação. Se o bebê piorar novamente, a suspeita se confirma.

O que não fazer nessa fase

Cortar tudo de uma vez não é uma boa estratégia. Além de tornar a dieta da mãe muito restritiva em um momento em que ela precisa de nutrição completa, dificulta identificar qual alimento é o real responsável. A exclusão deve ser feita um item de cada vez, com observação cuidadosa entre cada mudança.

Vale também lembrar que a cólica nem sempre tem relação com a alimentação materna. Posição errada ao amamentar, ar engolido durante a mamada, pega inadequada e até o ritmo acelerado de saída do leite podem ser causas que nenhuma mudança no prato vai resolver. Se a cólica for muito intensa ou persistente além dos quatro meses, a conversa com o pediatra é indispensável.

Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida