O bebê que sofre com cólicas: a solução pode estar no prato da mãe
Juliana Andrade, nutricionista do Metrópoles, explica como alguns alimentos consumidos pela mãe podem interferir nas cólicas dos bebês

Noites sem dormir, choro que não cessa, bebê com barriga dura e perninhas encolhidas. A cólica é um dos maiores desafios dos primeiros meses de vida, tanto para o bebê quanto para a mãe que já está exausta. E uma das primeiras perguntas que surgem nesse momento é: será que o que estou comendo está piorando isso?

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Ver todasA resposta é: pode ser. Não necessariamente, porque a cólica tem múltiplas causas, muitas delas ligadas à imaturidade do sistema digestivo do próprio bebê. Mas o que a mãe come durante a amamentação passa para o leite materno, e alguns compostos presentes em certos alimentos chegam até o intestino do bebê e podem causar desconforto, gases e agitação.
Os alimentos que mais aparecem na lista de suspeitos
Laticínios são os primeiros a entrar na mira. A proteína do leite de vaca, presente no leite, queijo, manteiga, iogurte e sorvete, é um dos alérgenos mais comuns em bebês amamentados. Quando a mãe consome esses produtos, fragmentos dessa proteína podem passar para o leite materno e provocar desconforto digestivo no bebê que tem sensibilidade a ela. Se houver suspeita, a orientação costuma ser retirar todos os laticínios da dieta materna por duas a quatro semanas e observar se há melhora.
Vegetais crucíferos também chamam atenção. Brócolis, couve-flor, repolho e couve de Bruxelas são alimentos nutritivos para a mãe, mas contêm carboidratos fermentáveis que produzem gás durante a digestão. Esse efeito pode refletir no bebê, deixando a barriguinha mais estufada e o choro mais intenso. Vale observar se há piora nas horas seguintes ao consumo desses alimentos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloCafeína merece mais cuidado do que muitas mães percebem. Café, chá preto, refrigerante, chimarrão e chocolate contêm cafeína, e essa substância passa para o leite materno com relativa facilidade. O bebê tem muito mais dificuldade de metabolizá-la do que um adulto, e o resultado pode ser agitação, dificuldade para dormir e maior sensibilidade ao desconforto. Não é preciso cortar tudo, mas limitar o consumo a uma xícara de café por dia costuma fazer diferença.
Frutas cítricas como laranja, limão, abacaxi e kiwi têm alta acidez, que pode irritar o sistema digestivo ainda imaturo do bebê, causando azia e desconforto. Não precisam ser eliminadas, mas convém observar a reação do bebê nas horas seguintes ao consumo.
Leguminosas como feijão, ervilha e grão-de-bico são alimentos saudáveis, mas produzem gases durante a digestão. Da mesma forma que acontece com os crucíferos, esse efeito pode chegar ao bebê pelo leite materno.
Alimentos muito condimentados, com pimenta e temperos fortes, podem alterar o sabor e a composição do leite, incomodando alguns bebês mais sensíveis.
Álcool deve ser evitado. Passa rapidamente para o leite materno e o bebê não tem a capacidade de processá-lo. Para quem quiser consumir eventualmente, a recomendação é esperar pelo menos duas a três horas após a ingestão antes de amamentar.
Como descobrir o que está causando problema
Não existe uma lista universal que vale para todos os bebês. Cada organismo responde de forma diferente e o que afeta um bebê pode não afetar outro. A estratégia mais indicada é o diário alimentar: a mãe anota o que comeu e observa o comportamento do bebê nas duas a quatro horas seguintes. Com o tempo, padrões aparecem.
Se houver suspeita de um alimento específico, a abordagem é eliminá-lo por duas semanas e verificar se o quadro melhora. Se melhorar, reintroduz-se o alimento para confirmar a relação. Se o bebê piorar novamente, a suspeita se confirma.
O que não fazer nessa fase
Cortar tudo de uma vez não é uma boa estratégia. Além de tornar a dieta da mãe muito restritiva em um momento em que ela precisa de nutrição completa, dificulta identificar qual alimento é o real responsável. A exclusão deve ser feita um item de cada vez, com observação cuidadosa entre cada mudança.
Vale também lembrar que a cólica nem sempre tem relação com a alimentação materna. Posição errada ao amamentar, ar engolido durante a mamada, pega inadequada e até o ritmo acelerado de saída do leite podem ser causas que nenhuma mudança no prato vai resolver. Se a cólica for muito intensa ou persistente além dos quatro meses, a conversa com o pediatra é indispensável.















