*

Consumido por homens e mulheres que praticam musculação e buscam a hipertrofia, o whey protein caiu no gosto dos brasileiros. A associação de consumidores, Proteste, testou as principais marcas de proteína concentrada do leite e constatou várias irregularidades. Uma marca, em especial, chamou atenção pelo teor de carboidratos. A quantidade foi 114% maior em relação ao apontado no rótulo.

O teste foi feito com trinta marcas de whey em pó sabor baunilha. Foram analisados os teores de proteína e carboidratos presentes nos produtos. Além disso, foi verificado se os rótulos traziam informações obrigatórias por lei.

Esta é a terceira vez em que esse tipo de produto é testado pela associação. A boa notícia é que, neste ano, os resultados foram melhores e mostraram evolução nos produtos oferecidos ao consumidor no país. No geral, os rótulos estão mais confiáveis, principalmente em relação ao teor de proteína, mas 10 marcas ainda não cumprem o que prometem na rotulagem no que se refere à quantidade de carboidratos.

Os produtos das marcas: Gaspari Nutrition, Hyperpure, Solaris, Myprotein e New Millen apresentaram variação de carboidratos maior do que a permitida pela legislação, o pior resultado ficou com o BRN Foods. O teor de carboidratos encontrado foi 114% maior em relação ao apontado no rótulo.

Há também aqueles que pecaram, mas por motivo contrário: têm menos carboidrato do que o estampado na embalagem, como é o caso do Black Skull, Growth, Optimum Nutrition e BSN DNA.

Além disso, foi verificado que BRN Foods, Musclepharm e Iridium possuem imagens na embalagem referentes a ganho ou definição muscular, o que, de acordo com a Anvisa, é irregular. Essa última marca traz ainda  a mensagem “aumento de massa magra”, exemplo de termo proibido na legislação.

A associação defende que os fabricantes precisam se adequar. Mesmo que a diferença entre o valor presente no rótulo e o encontrado em laboratório não ofereça riscos à saúde, ela pode impactar o resultado desejado.

Whey isolado
Com base em estudos, o whey concentrado caracteriza-se por conter de 29% a 80% de proteína do soro do leite, sendo o restante carboidratos e gordura, enquanto o isolado, mais puro e mais caro, deveria ter concentração proteica de 90%. Entre os produtos testados que se dizem isolados, o BRN Foods não traz essa quantidade de proteína, mas apenas 69,5% de concentração proteica.

De acordo com a médica Marília Milograna Zaneti, o whey isolado é mais apropriado para públicos específicos, como intolerantes à lactose. “Na hora da compra, prefira ainda as marcas que trazem menos conservantes, corantes e açúcares. Vá até a lista de ingredientes. Se ela for enorme e confusa, prefira outro produto e, ainda, veja se o primeiro ingrediente é a proteína do soro do leite”, orienta a especialista.

Esclarecimento
A representação da New Millen, reprovada no teste da Proteste, entrou em contato com o Metrópoles e informa que a rotulação em questão analisada trata-se de um antigo lote do produto, já tendo sido descontinuada. A marca afirma que o produto avaliado, o Whey Protein 100% WPC, continha uma diferença de apenas 1,4 gramas a mais do que citado no rótulo.

“A nova rotulagem do Whey Protein 100% WPC obteve ajustes na informação de carboidratos e já está sendo utilizada em linha desde janeiro de 2018. A New Millen reforça, ainda, que a valoração de proteínas, principal substância do whey protein, do produto está dentro do indicado”, pontua a nota oficial.

A marca Myprotein também enviou uma nota de esclarecimento ao Metrópoles.  “A Myprotein gostaria de informar que o lote testado foi fabricado em 2017 e já foi descontinuado. O rótulo atual do produto em questão oferecido ao mercado brasileiro contém informações atualizadas de acordo com os valores nutricional da formulação comercializada. A Myprotein continua receptiva à testes de produtos da nossa linha atual em demonstração e reafirmação ao nosso respeito e comprometimento com os nossos consumidores”.