Dieta dos 21 dias: nutricionistas explicam riscos do regime restritivo

A dieta promete reduzir peso e celulites sem exercícios físicos, mas com diversas restrições alimentares

atualizado 05/08/2020 11:24

Dieta militarFreepik

A promessa de perder medidas e ganhar massa magra em pouco tempo continua conquistando adeptos, mesmo em tempos de pandemia de coronavírus. Recentemente, a dieta dos 21 dias entrou nos assuntos mais falados da web graças ao que promete aos usuários: redução de peso e celulites sem exercício físico intenso. A fórmula foi inventada pelo fisioterapeuta Rodolfo Aurélio e é comercializada on-line, diretamente no site ou com revendedores.

Embora existam diversos vídeos de venda com depoimentos positivos na internet, a maioria com textos semelhantes, a dieta é alvo de críticas no portal Reclame Aqui. Entre as contestações sobre o termo “dieta dos 21 dias”, há quem se queixe da qualidade do material, do canal de atendimento e de cobranças indevidas no cartão de crédito. Nenhuma das reclamações foi respondida nem pelo autor da dieta, nem pela plataforma de venda.

A dieta garante “forçar o organismo a perder gordura, além de diminuir cintura, acelerar o metabolismo, ter cabelo, pele e unhas mais saudáveis, melhorar o colesterol, reduzir a celulite e aumentar energia”. A exclusão dos exercícios físicos intensos e longos é defendida como vantagem pelas pessoas que compartilham o programa na internet. Em substituição, o regime, que deve ser comprado, sugere atividades leves e curtas.

A nutricionista clínica Nathalia Bandeira afirma que as promessas da dieta de 21 dias tratam-se de “fábula”. Além disso, terminados os dias de regime, vem o efeito rebote tanto no físico quanto na saúde. “Para que a gente tenha um emagrecimento definitivo, é preciso ajustar o intestino de forma correta, entender como o nosso corpo reage. Somos indivíduos completamente personalizados. O que funciona para alguém, pode não funcionar para você”, salienta.

Segundo Nathalia, aderir a um programa de emagrecimento pronto, sem a indicação de profissional qualificado, é um grande risco. Nenhum nutrólogo, médico, personal trainer ou outro profissional da área da saúde está habilitado para passar qualquer qualquer tipo de dieta ou prescrever planos alimentares nesses moldes, sem avaliação de quadro clínico.

Perigos

De acordo com a nutricionista Catarine Camargo, as dietas restritivas funcionam a curto prazo, mas apresentam diversos malefícios. Segundo ela, parar de consumir determinados alimentos, que geralmente são comuns na alimentação do praticante, causa compulsão alimentar e problemas comportamentais. Além disso, para emagrecer sem exercício físico é preciso ingerir pouquíssimas calorias, o que é prejudicial a longo prazo.

“No 22° dia, a pessoa vai querer comer aquilo que foi restringido, em quantidades muito maiores. Isso gera uma compulsão e ainda aumenta o nível de colesterol”, explica.

Mudanças drásticas como a prometida na dieta de 21 dias podem causar problemas comportamentais. Catarine afirma que a pessoa pode sentir estresse e ansiedade, e ficar mais suscetível a irritações. A reeducação alimentar, portanto, é a melhor opção para perder peso e manter a qualidade de vida.

“Esse tipo de dieta é famosa porque tem resultados rápidos e não exige tanto das pessoas. É engraçado como as pessoas acham melhor parar de comer algo ao invés de só trocar o que consomem”, pondera Catarine.

 

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Método

Para obter o protocolo de emagrecimento, é preciso realizar um cadastro no site de vendas e desembolsar em torno de R$ 96, preço promocional e que pode variar entre os vendedores. O pacote promete e-books, videoaulas, cardápio completo e receitas exclusivas de alimentos, como brownie, pizza, bolo e outros. Também afirma oferecer um grupo de comunicação exclusivo entre os participantes e canal de atendimento.

Não é feito nenhum acompanhamento médico ou nutricional com o comprador para elaborar a dieta de 21 dias. O site pergunta as preferências e medidas do usuário durante o cadastro, mas não é possível saber se interferem no regime alimentar oferecido. “Sem o suporte profissional, a pessoa não tem a noção dos nutrientes nem do que está deixando de consumir. É um tiro no escuro, algo desorientado. A chance de engordar novamente e desenvolver outros problemas de saúde é muito grande”, diz Catarine Camargo.

Com base nas informações disponíveis antes da compra, é possível perceber que a dieta mistura low carb e jejum intermitente. A propaganda na plataforma de venda diz que dá para perder de cinco a 10 kg no período. Para isso, retira-se o consumo de frituras e alimentos ultraprocessados. Outra premissa é uma redução drástica do total de calorias ingeridas durante o dia.

Autoria

Além de fisioterapeuta, Rodolfo Aurélio, criador do regime alimentar, descreve-se nas redes sociais como naturopata, microfisioterapeuta, osteopata e pesquisador. No entanto, não há registros de estudos realizados por ele nas principais plataformas de buscas, assim como não há o nome dos “1.200 experimentos científicos” que a dieta alega se basear.

O Metrópoles entrou em contato com o autor da dieta pelas redes sociais, único canal de comunicação disponível, mas não obteve resposta. O mesmo ocorreu com pessoas anônimas que vendem o pacote na internet ou compartilham informações sobre ela.

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