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Veganos e vegetarianos já são bem conhecidos, mas um novo termo ganha cada vez mais fama: “reducetariano”. O “reducetarianismo” surge como uma alternativa para quem acredita que eliminar o consumo de alimentos de origem animal é algo radical demais. Para a nova corrente, não é preciso tirar a carne da dieta, mas sim diminuir a quantidade consumida.

Segundo a praticante do “reducetarianismo” Júlia Rios, a nova tendência cresce porque as pessoas começaram a perceber que o consumo desenfreado e a industrialização estão causando impactos seríssimos ao planeta. “É muito difícil tentar influenciar toda a população a ser vegetariana ou vegana, já o ‘reducetarianismo’ é uma opção mais fácil para se adaptar”, avalia.

Por ainda ter vontade de comer carne, mas preocupada com a origem dos alimentos, ela encontrou no movimento uma maneira de unir os dois desejos. “Ao reduzir o consumo de carne, busca-se comer proteínas de melhor qualidade, sem tanto hormônio. Essa troca me auxiliou a diminuir problemas digestivos”, conta. “Não indico ninguém a retirar carne por completo, mas incentivo a diminuir o consumo para uma vez na semana”, aconselha.

Ela também reforça que é importante buscar um nutricionista e diversificar a alimentação. “É comum ver pessoas que param de consumir carne aumentarem a ingestão de massas, arroz e carboidratos”. Ao fazer a troca inteligente, ela garante que a qualidade de vida não sofrerá problemas. “É possível ter uma alimentação absolutamente equilibrada sem ter falta de nenhum micronutriente”.

 

A nutricionista Teresa Coutinho também acredita na alternativa. Vegetariana há sete anos, ela explica que as proteínas animais originam as alergias alimentares mais comuns. “Muitas são as doenças que podem ser evitadas ou até mesmo curadas quando se evita proteína animal. A redução é uma excelente iniciativa”.

A médica também aponta os perigos de se eliminar a proteína animal sem a preocupação de encontrar substitutos. “Caso não venhamos a ingerir proteínas suficientes, nosso organismo começará a degradar os músculos para utilizar as proteínas ali presentes”. Essa carência pode, segundo a especialista, afetar os ossos, a massa muscular e até a produção de enzimas e hormônios.

A origem
Fundada em 2014 pelo americano Brian Kateman, a ONG Reducetarian incentiva pessoas a evitarem o consumo de qualquer alimento de origem animal, mas sem se ligarem a uma dieta específica.

Segundo a organização não governamental, a criação animal é responsável pela perda de 30% da biodiversidade global, efeito do desflorestamento, poluição e mudanças climáticas. Além disso, as criações de animais para consumo ocupam grandes pedaços de terra, o que reflete nas áreas desflorestadas.